quinta-feira, 19 de maio de 2016

Do que fizemos da vida que recebemos? Eta saudadesss!!! Do que foi feito do Clube da esquina??


  

   O medo de amar é o medo de ser... é o medo de viver...

   O medo de ter ... é o medo de perder...

  O medo de amar ... é o medo de ser livre, para o que der e vier...

  O medo de se atirar ... é o medo de se envergonhar...

  Dificeis escolhas - viver! sem medo.

  Aquelas em que nos fazemos... para não nos acovardamos... e ter que prestar satisfação aos outros.

  Dias nublamos, ir em busca do sol... aonde ele está.

  Precisamos disso para viver??

  Será que devemos desistir?... já que é para viver sob o barranco... com medo de alçar voo livre.

  Tanta luz, e nos acendemos velas...

  Chega de blá... blá ... blá. A vida corre ligeiro, e como o coelho de Alice, o tempo está se esgotando!!!

  Levantemos da zona de conforto, e prossigamos!!

                           E tudo se clareará, sem sequer darmos conta!!!

P.S: Por onde andará Beto Guedes??? Que saudadessss...




  

domingo, 15 de maio de 2016

Ciranda cirandinha vamos todos cirandar...



Cantigas de rodacirandas ou brincadeiras de roda são brincadeiras infantis, onde tipicamente as crianças formam uma roda de mãos dadas e cantam melodias folclóricas, podendo executar ou não coreografias acerca da letra da música. São uma grande expressão folclórica, e acredita-se que pode ter origem em músicas modificadas de um autor popular ou nascido anonimamente na população. São melodias simples, tonais, com âmbito geralmente de uma oitava e sem modulações. O compasso mais utilizado é o binário, porém não raramente também o ternário e o quaternário. Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão Roda piãoEscravos de JóRosa juvenilSapo CururuO cravo e a rosaCiranda-Cirandinha e Atirei o pau no gato.
Em outras palavras, Cantigas de Roda é um tipo de canção infantil popular relacionada às brincadeiras de roda. Nesse sentido carregam uma melodia de ritmo limpo e rápido, favorecendo a imediata assimilação. Estão incluídas nas tradições orais em inúmeras culturas. No Brasil, fazem parte do folclore brasileiro, incorporando elementos das culturas africanaeuropéia(principalmente portuguesa e espanhola) e indígena.
Na matriz cultural brasileira têm uma característica interessante, que é a autoria coletiva (ou anônima) pelo fato de serem passadas de geração à geração. Atreladas ao ato de brincar, consistem em formar um grupo com várias crianças (ou adultos), dar as mãos e cantar uma música com características próprias, com melodia e ritmo equivalentes à cultura local, letras de fácil compreensão, temas referentes à realidade da criança ou ao seu imáginário, e geralmente com coreografias.


Ciranda cirandinha

Ciranda, cirandinha, vamos todos cirandar, 

vamos dar a meia-volta, volta e meia vamos dar 

O anel que tu me deste era vidro e se quebrou 

O amor que tu me tinhas era pouco e se acabou

Por isso, D. Fulano entre dentro dessa roda 

Diga um verso bem bonito, diga adeus e vá-se embora 

A ciranda tem tres filhas 

Todas tres por batizar

A mais velha delas todas 

Ciranda se vai chamar








Lembro-me que naquela época de infância, embora já estivessemos com 10, 11, 12 ou mais anos de idades, ainda brincavamos de ciranda, e outras modinhas. Por que ser criança era a fase que gostariamos que não fazíamos a menor questão que se passasse!!

Sabíamos de plena convicção, que depois que ela fosse embora, o mundo teria outra cara... as pessoas nos cobrariam mais afazeres, do que os nossos. 

Assim eu, Cristina, Juanita, Dida, Soneide e outras amigas,faziamos com o tempo parasse, por algumas horas, e congelavámos nossa infância naquele pedaço de rua. Sem nos importar com o que os outros iriam pensar!!! e pude dizer: Tive infância!VSem luxos ou aparelhos que hoje as crianças conhecem... mas com o Cosmos a nos olhar agraciado e sorridente!!!


                                     Ótima semana!!!


sexta-feira, 25 de março de 2016

Saudades... algo que não sabemos explicar. E que causa um baita incomodo.




   Tem horas que por mais que não desejemos - ela surge...atordoada, desequilibrada, ofegante, e nos tira o raciocínio... e traz consigo uma depre!!!

    Ela tem nome: Saudade!!!

    Sem explicar nem como, nem por que, vem se chegando. Puxa uma cadeira, e se senta ao nosso lado!!! sem fazer alarde, ou ruídos. 

   Simplesmente se coloca quieta, sem resmungar um ai... e apesar do silêncio, a presença como incomoda!!!

   É doída a companhia... remoendo coisas antigas, pessoas que se foram, dias felizes que não se tem mais!!

  Não tem hora para ir embora, demora às vezes até dias, e semanas... vez por outra traz uma lágrima junto. 
Uma dor no peito, ou dor de cabeça.

  E se não tomarmos cuidado, ela permanece anos!!!

  Por isso temos que resistir à sua indiscreta presença, e arrastá-la para fora de nossas vidas, de nosso coração.

  Cantar, dançar, sair, passear, ou outra forma qualquer de deixá-la longe!!

  E, somente assim podemos permanecer atentos ao dia de hoje...




sábado, 16 de janeiro de 2016

Era só um jeito de ser feliz - daquela menina-moça. Nita era assim que a chamavá-mos.



A casa era de uma simplicidade, que dava dó.




Mas ao mesmo tempo era bonito de se ver!!!

Era bonito ver o zelo, e o cuidado que aquela menina dava ao ambiente. Tudo muito brilhando! Tudo muito bem arrumado, tudo nos seus lugares.
Na cozinha ainda havia um porta panelas, que chamavamos de bateria.




   E um fogão a lenha. Com panelas alvas... que muito esforço demandava para areá-las.




            Era como se aquilo que fazia não lhe causasse esforço algum.
                            Mesmo sendo tão pequena sabia coisas de gente adulta.


O dia a dia no interior, era tranquilo, sem contar com as tarefas árduas, o mais era simplesmente se viver. E, a gente tentava viver sem aborrecimentos, mas às vezes inesperados problemas que não procuravámos , mas que nos surgiam, e no meio deles, se tinha uma consciência amiga, que dizia:

                                Calma gente. Isso passa!!!


E, sem que entendessemos como - eles realmente do mesmo jeito que vinham , iam embora.

Eu do alto dos meus 6 ou 7 anos de idade, ficava admirada de ver tanta sapiência!!!

Para febre, tinha uma chá;

Para cólicas um remédio rápido;

Para saudade uma acalanto;

Para duvidas - uma certeza!!!

Para o medo: a fortaleza do abraço;

Para o futuro: uma linha de direção;

Era como se os deuses conversassem com ela - e de repente uma palavra sábia surgia de uma menina de apenas 14 anos.

Eu, era sua fá. A admira como a uma santa. E tinha no meu mais puro e ingênuo pensamento, a noção de que ela seria minha para sempre.

Nesse tempo ainda vivíamos em Paratinga/Bahia; e com certeza nunca deveríamos ter saído de lá, era o que pensava.

Porque ali me sentia protegida.

Era, uma cidade agradável. E as horas passavam sempre mais lentas que no restante do mundo. Embora todo o nosso mundo fosse circunspecto àquela região. Mesmo assim os achavámos enorme!!!

E, um dia quando tivemos que deixar nosso minúsculo paraíso - descortinou-se uma dura realidade.

A de que o que era real fora dali; poderia ser muito destruidor para nós!!!

Todos os sonhos poderiam não acontecer fora daquela terra.... e,  hoje repassando os fatos vejo que sim.

A nossa dúvida se concretizara! Fomos todas dragadas para a vida dura e seca!!! Sem sonhos!!!


                                 Em breve continuo!!

                                                                      bom dia!!!



Sentada na porta ... em sua cadeira de rodas ficava - Fernando Mendes (recordar) Por que não?





   Ouvi muito essa música. E todas as desse cantor... Fernando Mendes.




 As vezes confesso que muito ela me entristecia...

O cara era um cantor dos anos 70, que emocionava as pessoas com canções chorosas.

Engraçado como certas frases marcam toda uma existência. Hoje em dia parece que estamos menos sujeitos a isso! Sinto que é como se nossos pensamentos são velozes, e não temos tempo de emoções!!!

Isso só mesmo com o Roberto Carlos de antigamente, que nem mesmo o de hoje consegue transmitir-nos emoções!!

Em que era estamos? Será que a chamada revolução tecnológica, nos embutiu de coisas complicadas demais... para sermos bregas!?

Creio que preciso urgentemente recordar... antes que minha memória falhe, e eu nem saiba o que quero mesmo relembrar!!!!

Sem saudosismo, ou tristezas, apenas recordar para reviver!! Recordar velhos costumes, * Não que eme sinta velha!!

Reviver o pipoqueiro, os bancos d Praça Xv de Novembro; os sabias, os arlequins, lembrar dos álbuns de infância.

Lembrar dos diários (nunca consegui escrever até o fim do ano) como nas minhas agendas de hoje!! Afff....

Relembrar dos primeiros madrigais! Ainda que nem sempre hoje os vemos como coisas boas, mas tudo bem. Fazíamos o que nossa cabeça manda, por que inclusive havia um ditado quem manda na minha boca (e cabeça) sou eu!!! rsss....

                          Sou assim! Não sei mudar.....Amo as coisas que vivi!!!




**Depois de ouvir essas músicas me responda: Vale ou não a pena recordar??!


                                              Bjosss....

terça-feira, 20 de outubro de 2015

O tempo: amigo ... itinerante ... mutante


Algo me diz:
Ele é enigmático... poderoso ... mutante .... extraordinário.

Tem o domínio da vida... dependemos dele do nascer ao momento final dos nossos dias!!!

Absoluto!!!

Complacente... reduz as suas chances e as aumenta!!!!

Um minuto para nós pode ser crucial, para ele algo precioso....

Dou voltas no que falar, escolho palavras , penso e repenso, e não consigo qualificá-lo... vou ao extremo, releio o que disse: E continuo a procurar uma palavra ou algumas delas... para dizer o que penso dele.
Mas de que adiantaria? o que mudaria seu estado de Soberano Tempo? rss...

E retorno a recriação: Qual ser és tu? Oh Poderoso Tempo...

Deus em sua Infinitude máxima!!! se fez nele, e por ele... para nos frear!!

Só isso me basta ... nada mais quero saber!!

O compreendo como tal... o devoto... sem elogios... o admiro ... e o temo!

A mim me basta!!!



En español:

Algo me dice:

Él es enigmático ... poderoso ... extraordinario .... mutante.

Tiene el dominio de ... La vida depende de ello desde el amanecer hasta el momento final de nuestro día !!!

Absoluta !!!

Complaciente ... reduce sus posibilidades y aumenta !!!!

En un minuto puede ser crucial para nosotros, para él algo precioso ....

Go Round qué decir, elegir las palabras, pensar y repensar, y no se puede calificar, usted ... va al extremo, releo lo que he dicho: yo sigo para buscar una palabra o algunas de ellas ... para decir lo que pienso de él.
Pero ¿de qué sirve? lo que iba a cambiar su hora de Estado soberano? rss ...

Y devolver la recreación: ¿Qué es de tu vida? Oh Poderoso Tiempo ...

Dios en su máxima Infinity !!! Se convirtió en él y para él ... para que dejemos !!

Eso es sólo yo ... nada más quiero saber !!

El entender cómo ese devoto ... ... sin elogios ... admirar ... y el miedo!
A mí sólo me !!!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Gostaria de dizer : Esperava estar vivendo em um mundo melhor (aos 14anos) sonhei isso! Não deu!!!



A capacidade humana alcançou os limites de tudo aquilo que já vimos. 
Foi ao espaço e aos submundos... foi aos fundo do mares, tirou óleo de pedras, fez jorrar barris de petróleo do fundo do mar.. conheceu a lua e outros planetas, porém infelizmente provocou guerras sem fim.

Destruiu pessoas, roubou-lhes o que havia de mais essencial às suas vidas e dos seus... De que adianta dominar incapazes? 
Destruir cidades, e depois governá-las??
Implodir edifícios e ver tudo indo aos ares??

Tá errado: Isso é insanidade..insensatez.. desvairação!!!
Cerceiam os direitos humanos básicos...
Matam crianças, que nem tiveram a percepção do mundo! 
ainda inocentes e neste mundo cão!!

Iremos também embora - com uma sensação: Impotência!
Vergonha, Limitação ... Não temos mais bandeiras para levanta: destruiram nossos sonhos! Nos tornaram tristes...e cabisbaixos...

Nada valeu a pena - minha alma ficou pequena!!

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Não sabemos como armazenar tantas noticias , e quase nenhum saber.


Quando perdemos o controle de nossas vidas, e quase nada é sigiloso, aonde estamos, o que fazemos, que roupa (nova) usamos, e até a comida é pública... O que a Internet fez das nossas vidas? Há valores ainda importantes a transmitirmos aos filhos? e quem são os novos professores, ou para o que servem?



Quando o sono é prejudicado pela Internet, a hora da refeição é quando mais se fala... a hora do banho (é dificel de se fazer o que é preciso), por que tenho tempo para jogar, preciso bater o novo record do meu amigo!!
Quero saber o resultado do G4.
Qual o tempo (previsão) amanhã?!
Chegaram novos cupons de desconto??
Algum convite para agito de fim de semana!?
Não terminei de baixar aquele vídeo massa da minha banda preferida,
Como foi a noite do rock rio?

 E assim, há sempre uma desculpa para não estarmos plugados; e haja grupo novo a dentro; não podemos ficar nem um dia sem ela! A Internet.

Na madrugada o aviso: Olha a mensagem toca, e logo acordamos e vamos ver quem é!!!

Mães esquecem de colocar os filhos para estudar... por que elas também estão atualizando o bate papo, com as amigas... os pais interessados na compra do ingresso do futebol de domingo, e a Internet caiu justamente quando ia concretizar a compra.

Pagar contas só pelo celular... saber saldo ... e sei lá mais quantas coisas pode-se fazer.

Agora mesmo enquanto escrevo chegaram três mensagens.

E o que as pesquisas dizem disso tudo?
Os cientistas alertaram para os problemas, mas o pior de tudo: não se divulgam, e pouquissimas pessoas se interessam em saber:

Acompanhe esse texto:

"Este trabalho acadêmico complementa os inúmeros artigos e livros que escrevi sobre meios eletrônicos e educação, pois neles eu fiz referência a poucas pesquisas científicas, e nenhuma das mais recentes . No entanto, aqueles artigos contêm considerações conceituais que são apenas levemente cobertas neste trabalho. Assim, eles complementam-se mutuamente. Baseado no presente artigo, que engloba todos os meios eletrônicos, escrevi outro, apenas sobre os efeitos negativos da televisão, "A TV antieducativa". 

No entanto, esse último contém dados de várias pesquisas não citadas no presente artigo, de modo que o complementa em vários pontos, como por exemplo o fato de, devido à TV, crianças estarem falando cada vez menos.

Alguns leitores podem estranhar o fato de eu abordar aqui praticamente apenas efeitos negativos dos meios eletrônicos. De fato, não há nada de 100% bom ou 100% mau no mundo. 

Uma pessoa em uma de minhas palestras disse o seguinte: "Meu filho aprendeu inglês jogando video games, isso não é bom?" Claro que é, só que, em face dos enormes prejuízos causados por esses jogos, a minha resposta foi: "Mas não há outros meios mais sadios de se aprender inglês?" Como veremos aqui, os efeitos negativos daqueles meios são tão extensos e profundos, que posso fazer com segurança a seguinte afirmativa: os prejuízos causados em crianças e adolescentes pelos meios eletrônicos ultrapassam infinitamente os benefícios. No caso de adultos, devido à maturidade, conhecimento,autoconsciência e autocontrole que eles têm (ou deveriam ter), os prejuízos poderiam ser evitados. Mas, como a TV mostrou, e a Internet está mostrando, mesmo com adultos talvez minha afirmativa seja válida. Acontece que quase todas as pessoas que discutem os meios eletrônicos os elogiam, num verdadeiro entusiasmo pelas novas tecnologias. 

Alguém deveria chamar a atenção para o lado negativo; é nesse nicho que entrei, com a esperança de conscientizar as pessoas para os enormes males causados por eles; dou grande ênfase às consequências dos usos dos aparelhos por crianças e adolescentes, que estão literalmente sendo destruídos física e psicologicamente por eles. 

Ninguém duvida hoje que estamos destruindo a natureza; mas pouquíssimos percebem que há em curso uma verdadeira destruição dos seres humanos. Uma das maneiras mais seguras de destruir a humanidade é destruir as crianças e os adolescentes. Como veremos aqui, isto está em franco desenvolvimento.

Muitos dos trabalhos científicos aqui citados foram-me sugeridos por amigos e colaboradores, especialmente Adolfo Neto, Alfredo Mansur, Anderson Paulino, Edson Dognaldo Gil, Juan Pablo, Pedro Tisovec, Tamara Gonçalves e Wanda Ribeiro. A eles, meus carinhosos agradecimentos. 

Espero que continuem sendo meus "observatórios" para que, juntos, mantenhamos este artigo atualizado com as mais relevantes e recentes pesquisas mostrando os efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes.

Conclamo meus outros leitores a fazerem parte desta rede que visa conscientizar as pessoas dos perigos apresentados por esses meios e, principalmente, levá-las a proteger crianças e adolescentes, bem como educá-los corretamente, também enviando referências e artigos sobre pesquisas recentes .


 Excesso de peso e obesidade

Esses problemas, sabidamente, estão tornando-se epidêmicos. Marshall (2004) estimou que nos EUA morrem cerca de 400.000 pessoas por ano como consequência de excesso de peso. Hancox, Milne e Poulton (2004), em um estudo com 980 crianças acompanhando seu desenvolvimento de 2 (ou 3) em 2 (ou 3) anos até 21 anos de idade, verificaram que 17% dos casos de excesso de peso eram devidos ao consumo de TV na infância. 

Eles constataram que, quanto mais uma criança ou adolescente (isto é, entre 5 e 15 anos) veem TV, maior será seu IMC (Índice de Massa Corporal, de BMI, Body Mass Index, indicador de normalidade ou anormalidade de peso em relação à altura; ele é calculado como o peso em kg dividido pela altura em m ao quadrado) na idade adulta (ver sua descrição e gráfico de normalidade na Wikipedia). 

Note-se que não se trata de estudo de médias, mas das consequências individuais em cada sujeito, produzindo posteriormente a média. Klesges, Shelton e Klesges (1993) constataram que uma pessoa, ao ver TV, gasta menos energia do que uma pessoa deitada sem dormir. 

No entanto, o efeito geral, como determinado por Hancox e colaboradores, não deve ser apenas de menos gasto de energia por haver menos movimento, o que se aplica a todos os meios eletrônicos, mas, no caso da TV, uma diminuição da atividade mental e, ainda, na indução de maus hábitos alimentares. 

Usando os resultados de Hancox e de Marshall, Spitzer, calcula que nos EUA no mínimo 68.000 pessoas (17% de 400.000) morrem por ano como consequência de excesso de peso devido à influência da TV. 

Segundo seus cálculos, lá morrem 3 vezes mais pessoas como consequência do uso de TV do que em acidentes de trânsito .

Linda S. Pagani e colaboradores fizeram um extenso e rigoroso estudo para verificar a influência de ver TV na primeira infância sobre rendimento escolar, e fatores psicossociais e características de vida (Pagani 2010). Vamos tratar aqui apenas do problema do peso, retornando ao seu trabalho em outros itens quanto aos outros fatores. O estudo foi feito com 1.314 crianças de Quebec, Canadá. 

Segundo os autores, "Um incremento [de uma hora] de ver TV na idade de 29 meses correspondeu a 5% de aumento de probabilidade de a criança ser classificada como tendo sobrepeso na idade da 4ª série (10 anos). 

Exposição precoce à TV [o mesmo incremento] também correspondeu a 16% menos probabilidade de ingestão de frutas e vegetais e 9% a 10% de maior consumo de refrigerantes e snacks [salgadinhos e docinhos], respectivamente." 
Wiecha, Peterson e Ludwig examinaram 548 alunos, com média de 11,7 anos de idade, praticamente com mesma distribuição por sexo, de 5 escolas públicas perto de Boston, em 1995 e em 1997, levantando hábitos alimentares, atividade física e tempo de ver TV . 

Foram feitas medidas de ingestão de alimentos anunciados regularmente na TV, divididos em 6 grupos: doces, balas e chocolates, batatas fritas, fast food, salgadinhos e bebidas adoçadas com açúcar . 

Como resultado, cada hora de aumento de ver TV foi associada com em média 167 kcal adicionais de ingestão desses alimentos por dia . Segundo os autores, "Nossa análise leva a uma ligação entre assistir TV e essas mudanças não-saudáveis de hábitos alimentares [dietary changes], sugerindo que a propaganda de alimentos na TV tem uma poderosa influência no que é comido. 

De fato, estudos mostram que ver TV está inversamente associado com a ingestão de frutas e verduras, que recebem pouco tempo de transmissão, apesar de seu potencial para promover a saúde de vários modos, e de proteger contra ganho de peso [eles citam trabalhos sobre esses fatores]. ... se bem que crianças e adolescentes são encorajados a prestarem atenção [watch] ao que comem, muitos jovens parecem comer o que eles prestam atenção [watch, isto é, veem na TV], e no processo aumentam o risco de aumentar a ingestão de energia. Na falta de regulamentações restringindo a propaganda de alimentos dirigida a crianças, a redução no tempo de assistir TV é um enfoque promissor para reduzir a ingestão de energia." .

 Eles concluem: "O aumento no uso de TV está associado com aumento na ingestão de calorias entre jovens. Essa associação é feita por meio do aumento de alimentos densamente calóricos e de baixo valor nutritivo, frequentemente anunciados na TV."


Spitzer chama a atenção para o fato óbvio de que a propaganda de alimentos sem valor nutritivo nunca é feita por pessoas gordas ou com aparência desagradável .

 Acrescento ainda os alimentos que contêm quase que somente carbohidratos [junk food], fora sua quase total industrialização, o que leva a uma desnaturação e conseqüente perda de qualidade. 

Reconhecendo-se que quase tudo o que ocorre de ruim nos EUA aparece depois muito pior no Brasil, podemos imaginar que a situação entre nós é muitíssimo pior.

Voltando à pesquisa citada de Klesges , a razão de uma pessoa vendo TV gastar muito menos energia do que até uma pessoa em repouso sem dormir é clara: a TV induz um estado de sonolência, um estado semihipnótico. A minha descoberta em 1979 desse fato, ao qual dou importância fundamental para entender os efeitos da TV, ao ler o livro de Jerry Mander , fez-me mudar radicalmente as palestras que eu dava contra a TV desde 1972; em 1982, quando escrevi o primeiro artigo contra a TV, usei esse argumento como ponto central . 

Foi por meio de Mander que cheguei ao primeiro trabalho sobre esse tema ), que examinou o efeito no eletroencefalograma, bem como o efeito de movimento dos olhos, de uma pessoa vendo TV e lendo revistas de moda. 

A predominância de ondas alfa do EEG e a quase total falta de movimento dos olhos no caso da TV mostram o estado de desatenção (uma pessoa no escuro, ou com olhos fechados, apresenta a mesma predominância das ondas alfa, de 8 a 13 Hz, ao passo que no claro imediatamente passam a predominar as ondas beta de 14 a 30 Hz). 

Esse estado de sonolência pode ser comprovado observando-se a cara abobalhada de qualquer telespectador, principalmente crianças (que têm o rosto menos rígido). O livro de Patzlaf (2000) traz uma seção inteira sobre o "estado alfa" (p. 26); ele chama a atenção para o fato de esse estado poder ser produzido também em atividade mental, como na meditação. Nesta, desprende-se mentalmente de impulsos sensoriais e volta-se a consciência exclusivamente para o interior – ver meu ensaio a respeito

Obviamente, o estado interior da meditação é de profunda concentração interior, e não de passividade ou sonolência. 

O mesmo se passa nos chamados "sonhos acordados" (day dreaming), onde os olhos ficam parados. Mulholland , citado por Patzlaf , verificou que as ondas beta sempre amortecem as alfa "quando se passa um reconhecimento e uma verificação do ambiente, onde os olhos repetidamente fixam-se e em seguida acomodam-se. Se os olhos perdem o objeto visual ou o abandonam, independentemente do motivo, voltam as ondas alfa." 

De fato, a fixação do olhar em algum objeto requer um esforço de vontade, como pode ser verificado por qualquer pessoa. Segundo Kubey e Csikszentmihalyi (1990), citados por Patzlaf (p. 127), quanto ao EEG pode-se considerar ver TV como um caso especial de "sonhar acordado". 

É devido a esse estado semihipnótico que as pessoas conseguem lembrar-se de pouquíssimas notícias logo depois de verem um noticiário nacional. Recomendo aos leitores fazerem a experiência de perguntarem a uma pessoa que acabou de assistir um noticiário quais notícias ela lembra, obviamente sem contar antes que ela será sujeita a esse teste. Emery e Emery (1976, p. 66) relatam que, em San Francisco, uma enquete feita por telefone mostrou que mais da metade das pessoas não se lembrava de nenhuma notícia sequer! 

O prof. Anderson Paulino, hoje diretor de escola pública no Rio de Janeiro, testou esse fato em uma de suas palestras: de 15 manchetes que ele projetou numa TV a partir de uma gravação, nenhuma pessoa conseguiu lembrar de 3, e apenas algumas lembraram de 2 – por sinal, as 2 notícias mais violentas (comunicação pessoal).

Esse efeito de a TV colocar o telespectador em estado de sonolência, semihipnótico, é muito fácil de ser compreendido. 

Em primeiro lugar, a rápida sucessão de imagens da tela impede que o telespectador imagine seja lá o que for – compare-se com a leitura, por exemplo, de um romance, onde tudo deve ser imaginado. 

Essa verdadeira impossibilidade de criar imagens próprias significa um abafamento do pensamento imaginativo. Por outro lado, a rápida sucessão de imagens impede que o telespectador reflita conscientemente sobre o que está vendo. Postman , dá a duração de 3,5 segundos para cada tomada de câmera nos canais abertos, isto é, 17 por minuto. Mander  mediu uma média de 10 a 15 do que ele chamou de "eventos técnicos" (mudanças de imagem ou de som) por minuto.

 Eu mesmo fiz esse levantamento em 9/1/2000 e detectei 16,3 mudanças só de imagem em um comercial da Globo (Setzer 2005, p. 53). Um levantamento que fiz em 2008 deu uma média de 20 mudanças por minuto, sendo que em um video clip contei 60 por minuto, um verdadeiro festival psiquedélico! 

O leitor pode confirmar essas avalanches por conta própria. Imagino que nos video games de ação a velocidade de mudança de imagens aproxime-se da dos video clips

Faça-se a simples experiência de manter o pensamento ativo, refletindo-se sobre cada imagem ou fala transmitidas: em cerca de meio a um minuto ficar-se-á mentalmente exausto. 

Observando-se a si próprio, verifica-se o relaxamento mental que a TV produz; quando um programa exige algum raciocínio ele é normalmente considerado monótono, e a tendência é do telespectador mudar de canal, se já não tiver adormecido antes – há pessoas que têm uma proteção natural contra a TV: ligam-na e logo adormecem. 

O relaxamento mental associado à inatividade física (isto é, falta de exercício da vontade) faz com que sobre apenas a atividade interior de ter sentimentos.

É por isso que os programas apelam invariavelmente para as emoções. 
Mander  afirma simpaticamente que TV transmite violência não devido ao gosto dos telespectadores, mas por ser o que é melhor transmitido por esse aparelho . 

Para Neil Postman (1987, p. 87), para que algo seja transmitido pela TV e prenda a atenção do telespectador, deve sê-lo sob a forma de show; com isso, tudo no mundo transformou-se em show: educação, política, e até religião. Vale a pena citar o autor: "... o que estou dizendo aqui não é que a televisão é uma diversão, mas que ela transformou a própria diversão na forma natural de representar toda vivência" (idem). 

E o que não é feito em forma de diversão parece monótono, como em geral são as aulas nas escolas.


Goldfield et al. (2006) relatam experiência feita com 30 jovens com excesso de peso ou obesos (todos com IMnos 15% superiores da população em geral). 

Todos os jovens receberam monitores de atividade física, usados cada dia durante 8 semanas, com 2 reuniões semanais para descarregar os resultados. Eles foram divididos em 2 grupos, de 14 e 16 jovens; o primeiro grupo, de intervenção, recebia créditos de uso de TV, VCR ou DVD, na razão de 1 hora de uso desses aparelhos (o que foi controlado por aparelhos ligados na tela) para cada 400 contagens de atividade física (correspondentes a 1 hora dessa atividade). 

O segundo grupo, de controle, não recebeu esses "créditos", isto é, podia usar quanta TV quisesse.


O grupo de intervenção mostrou um aumento significativo na atividade física (65% para 16% do grupo de controle), aumento dos minutos de atividade moderada para intensa (9,4 para 0,3) e, o mais importante, diminuição dos minutos de ver TV (-116,1 para +14,3). 

Segundo eles, "... o grupo de intervenção também mostrou mais mudanças favoráveis na composição do corpo, ingestão diária de gorduras, e ingestão de energia de salgadinhos (snacks), comparado com o grupo de controle. Reduções no comportamento sedentário foram diretamente relacionados com reduções no IMC, ingestão de gorduras, e de salgadinhos enquanto viam TV." 
Assim, o estudo mostrou uma relação causal entre assistir TV e obesidade.

Enfoque para obesidade, mas sem duvida há ainda outros males a se considerar...Sem duvida alguma.



Referências:
1-http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/efeitos-negativos-meios.html 


Um dos fenômenos da atualidade: Estar on... e depois? O que a necessidade de aparecer pode gerar? E a televisão é vilão ou colaboradora de entretenimento

 
Quando o sono é prejudicado pela Internet, a hora da refeição é quando mais se fala... a hora do banho (é dificel de se fazer o que é preciso), por que tenho tempo para jogar, preciso bater o novo record do meu amigo!!
Quero saber o resultado do G4.
Qual o tempo (previsão) amanhã?!
Chegaram novos cupons de desconto??
Algum convite para agito de fim de semana!?
Não terminei de baixar aquele vídeo massa da minha banda preferida,
Como foi a noite do rock rio?

 E assim, há sempre uma desculpa para não estarmos plugados; e haja grupo novo a dentro; não podemos ficar nem um dia sem ela! A Internet.

Na madrugada o aviso: Olha a mensagem toca, e logo acordamos e vamos ver quem é!!!

Mães esquecem de colocar os filhos para estudar... por que elas também estão atualizando o bate papo, com as amigas... os pais interessados na compra do ingresso do futebol de domingo, e a Internet caiu justamente quando ia concretizar a compra.

Pagar contas só pelo celular... saber saldo ... e sei lá mais quantas coisas pode-se fazer.

Agora mesmo enquanto escrevo chegaram três mensagens.

E o que as pesquisas dizem disso tudo?
Os cientistas alertaram para os problemas, mas o pior de tudo: não se divulgam, e pouquissimas pessoas se interessam em saber:

Acompanhe esse texto:

"Este trabalho acadêmico complementa os inúmeros artigos e livros que escrevi sobre meios eletrônicos e educação, pois neles eu fiz referência a poucas pesquisas científicas, e nenhuma das mais recentes . No entanto, aqueles artigos contêm considerações conceituais que são apenas levemente cobertas neste trabalho. Assim, eles complementam-se mutuamente. Baseado no presente artigo, que engloba todos os meios eletrônicos, escrevi outro, apenas sobre os efeitos negativos da televisão, "A TV antieducativa". 

No entanto, esse último contém dados de várias pesquisas não citadas no presente artigo, de modo que o complementa em vários pontos, como por exemplo o fato de, devido à TV, crianças estarem falando cada vez menos.

Alguns leitores podem estranhar o fato de eu abordar aqui praticamente apenas efeitos negativos dos meios eletrônicos. De fato, não há nada de 100% bom ou 100% mau no mundo. 

Uma pessoa em uma de minhas palestras disse o seguinte: "Meu filho aprendeu inglês jogando video games, isso não é bom?" Claro que é, só que, em face dos enormes prejuízos causados por esses jogos, a minha resposta foi: "Mas não há outros meios mais sadios de se aprender inglês?" Como veremos aqui, os efeitos negativos daqueles meios são tão extensos e profundos, que posso fazer com segurança a seguinte afirmativa: os prejuízos causados em crianças e adolescentes pelos meios eletrônicos ultrapassam infinitamente os benefícios. No caso de adultos, devido à maturidade, conhecimento,autoconsciência e autocontrole que eles têm (ou deveriam ter), os prejuízos poderiam ser evitados. Mas, como a TV mostrou, e a Internet está mostrando, mesmo com adultos talvez minha afirmativa seja válida. Acontece que quase todas as pessoas que discutem os meios eletrônicos os elogiam, num verdadeiro entusiasmo pelas novas tecnologias. 

Alguém deveria chamar a atenção para o lado negativo; é nesse nicho que entrei, com a esperança de conscientizar as pessoas para os enormes males causados por eles; dou grande ênfase às consequências dos usos dos aparelhos por crianças e adolescentes, que estão literalmente sendo destruídos física e psicologicamente por eles. 

Ninguém duvida hoje que estamos destruindo a natureza; mas pouquíssimos percebem que há em curso uma verdadeira destruição dos seres humanos. Uma das maneiras mais seguras de destruir a humanidade é destruir as crianças e os adolescentes. Como veremos aqui, isto está em franco desenvolvimento.

Muitos dos trabalhos científicos aqui citados foram-me sugeridos por amigos e colaboradores, especialmente Adolfo Neto, Alfredo Mansur, Anderson Paulino, Edson Dognaldo Gil, Juan Pablo, Pedro Tisovec, Tamara Gonçalves e Wanda Ribeiro. A eles, meus carinhosos agradecimentos. 

Espero que continuem sendo meus "observatórios" para que, juntos, mantenhamos este artigo atualizado com as mais relevantes e recentes pesquisas mostrando os efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças e adolescentes.

Conclamo meus outros leitores a fazerem parte desta rede que visa conscientizar as pessoas dos perigos apresentados por esses meios e, principalmente, levá-las a proteger crianças e adolescentes, bem como educá-los corretamente, também enviando referências e artigos sobre pesquisas recentes .


 Excesso de peso e obesidade

Esses problemas, sabidamente, estão tornando-se epidêmicos. Marshall (2004) estimou que nos EUA morrem cerca de 400.000 pessoas por ano como consequência de excesso de peso. Hancox, Milne e Poulton (2004), em um estudo com 980 crianças acompanhando seu desenvolvimento de 2 (ou 3) em 2 (ou 3) anos até 21 anos de idade, verificaram que 17% dos casos de excesso de peso eram devidos ao consumo de TV na infância. 

Eles constataram que, quanto mais uma criança ou adolescente (isto é, entre 5 e 15 anos) veem TV, maior será seu IMC (Índice de Massa Corporal, de BMI, Body Mass Index, indicador de normalidade ou anormalidade de peso em relação à altura; ele é calculado como o peso em kg dividido pela altura em m ao quadrado) na idade adulta (ver sua descrição e gráfico de normalidade na Wikipedia). 

Note-se que não se trata de estudo de médias, mas das consequências individuais em cada sujeito, produzindo posteriormente a média. Klesges, Shelton e Klesges (1993) constataram que uma pessoa, ao ver TV, gasta menos energia do que uma pessoa deitada sem dormir. 

No entanto, o efeito geral, como determinado por Hancox e colaboradores, não deve ser apenas de menos gasto de energia por haver menos movimento, o que se aplica a todos os meios eletrônicos, mas, no caso da TV, uma diminuição da atividade mental e, ainda, na indução de maus hábitos alimentares. 

Usando os resultados de Hancox e de Marshall, Spitzer, calcula que nos EUA no mínimo 68.000 pessoas (17% de 400.000) morrem por ano como consequência de excesso de peso devido à influência da TV. 

Segundo seus cálculos, lá morrem 3 vezes mais pessoas como consequência do uso de TV do que em acidentes de trânsito .

Linda S. Pagani e colaboradores fizeram um extenso e rigoroso estudo para verificar a influência de ver TV na primeira infância sobre rendimento escolar, e fatores psicossociais e características de vida (Pagani 2010). Vamos tratar aqui apenas do problema do peso, retornando ao seu trabalho em outros itens quanto aos outros fatores. O estudo foi feito com 1.314 crianças de Quebec, Canadá. 

Segundo os autores, "Um incremento [de uma hora] de ver TV na idade de 29 meses correspondeu a 5% de aumento de probabilidade de a criança ser classificada como tendo sobrepeso na idade da 4ª série (10 anos). 

Exposição precoce à TV [o mesmo incremento] também correspondeu a 16% menos probabilidade de ingestão de frutas e vegetais e 9% a 10% de maior consumo de refrigerantes e snacks [salgadinhos e docinhos], respectivamente." 
Wiecha, Peterson e Ludwig examinaram 548 alunos, com média de 11,7 anos de idade, praticamente com mesma distribuição por sexo, de 5 escolas públicas perto de Boston, em 1995 e em 1997, levantando hábitos alimentares, atividade física e tempo de ver TV . 

Foram feitas medidas de ingestão de alimentos anunciados regularmente na TV, divididos em 6 grupos: doces, balas e chocolates, batatas fritas, fast food, salgadinhos e bebidas adoçadas com açúcar . 

Como resultado, cada hora de aumento de ver TV foi associada com em média 167 kcal adicionais de ingestão desses alimentos por dia . Segundo os autores, "Nossa análise leva a uma ligação entre assistir TV e essas mudanças não-saudáveis de hábitos alimentares [dietary changes], sugerindo que a propaganda de alimentos na TV tem uma poderosa influência no que é comido. 

De fato, estudos mostram que ver TV está inversamente associado com a ingestão de frutas e verduras, que recebem pouco tempo de transmissão, apesar de seu potencial para promover a saúde de vários modos, e de proteger contra ganho de peso [eles citam trabalhos sobre esses fatores]. ... se bem que crianças e adolescentes são encorajados a prestarem atenção [watch] ao que comem, muitos jovens parecem comer o que eles prestam atenção [watch, isto é, veem na TV], e no processo aumentam o risco de aumentar a ingestão de energia. Na falta de regulamentações restringindo a propaganda de alimentos dirigida a crianças, a redução no tempo de assistir TV é um enfoque promissor para reduzir a ingestão de energia." .

 Eles concluem: "O aumento no uso de TV está associado com aumento na ingestão de calorias entre jovens. Essa associação é feita por meio do aumento de alimentos densamente calóricos e de baixo valor nutritivo, frequentemente anunciados na TV."


Spitzer chama a atenção para o fato óbvio de que a propaganda de alimentos sem valor nutritivo nunca é feita por pessoas gordas ou com aparência desagradável .

 Acrescento ainda os alimentos que contêm quase que somente carbohidratos [junk food], fora sua quase total industrialização, o que leva a uma desnaturação e conseqüente perda de qualidade. 

Reconhecendo-se que quase tudo o que ocorre de ruim nos EUA aparece depois muito pior no Brasil, podemos imaginar que a situação entre nós é muitíssimo pior.

Voltando à pesquisa citada de Klesges , a razão de uma pessoa vendo TV gastar muito menos energia do que até uma pessoa em repouso sem dormir é clara: a TV induz um estado de sonolência, um estado semihipnótico. A minha descoberta em 1979 desse fato, ao qual dou importância fundamental para entender os efeitos da TV, ao ler o livro de Jerry Mander , fez-me mudar radicalmente as palestras que eu dava contra a TV desde 1972; em 1982, quando escrevi o primeiro artigo contra a TV, usei esse argumento como ponto central . 

Foi por meio de Mander que cheguei ao primeiro trabalho sobre esse tema ), que examinou o efeito no eletroencefalograma, bem como o efeito de movimento dos olhos, de uma pessoa vendo TV e lendo revistas de moda. 

A predominância de ondas alfa do EEG e a quase total falta de movimento dos olhos no caso da TV mostram o estado de desatenção (uma pessoa no escuro, ou com olhos fechados, apresenta a mesma predominância das ondas alfa, de 8 a 13 Hz, ao passo que no claro imediatamente passam a predominar as ondas beta de 14 a 30 Hz). 

Esse estado de sonolência pode ser comprovado observando-se a cara abobalhada de qualquer telespectador, principalmente crianças (que têm o rosto menos rígido). O livro de Patzlaf (2000) traz uma seção inteira sobre o "estado alfa" (p. 26); ele chama a atenção para o fato de esse estado poder ser produzido também em atividade mental, como na meditação. Nesta, desprende-se mentalmente de impulsos sensoriais e volta-se a consciência exclusivamente para o interior – ver meu ensaio a respeito

Obviamente, o estado interior da meditação é de profunda concentração interior, e não de passividade ou sonolência. 

O mesmo se passa nos chamados "sonhos acordados" (day dreaming), onde os olhos ficam parados. Mulholland , citado por Patzlaf , verificou que as ondas beta sempre amortecem as alfa "quando se passa um reconhecimento e uma verificação do ambiente, onde os olhos repetidamente fixam-se e em seguida acomodam-se. Se os olhos perdem o objeto visual ou o abandonam, independentemente do motivo, voltam as ondas alfa." 

De fato, a fixação do olhar em algum objeto requer um esforço de vontade, como pode ser verificado por qualquer pessoa. Segundo Kubey e Csikszentmihalyi (1990), citados por Patzlaf (p. 127), quanto ao EEG pode-se considerar ver TV como um caso especial de "sonhar acordado". 

É devido a esse estado semihipnótico que as pessoas conseguem lembrar-se de pouquíssimas notícias logo depois de verem um noticiário nacional. Recomendo aos leitores fazerem a experiência de perguntarem a uma pessoa que acabou de assistir um noticiário quais notícias ela lembra, obviamente sem contar antes que ela será sujeita a esse teste. Emery e Emery (1976, p. 66) relatam que, em San Francisco, uma enquete feita por telefone mostrou que mais da metade das pessoas não se lembrava de nenhuma notícia sequer! 

O prof. Anderson Paulino, hoje diretor de escola pública no Rio de Janeiro, testou esse fato em uma de suas palestras: de 15 manchetes que ele projetou numa TV a partir de uma gravação, nenhuma pessoa conseguiu lembrar de 3, e apenas algumas lembraram de 2 – por sinal, as 2 notícias mais violentas (comunicação pessoal).

Esse efeito de a TV colocar o telespectador em estado de sonolência, semihipnótico, é muito fácil de ser compreendido. 

Em primeiro lugar, a rápida sucessão de imagens da tela impede que o telespectador imagine seja lá o que for – compare-se com a leitura, por exemplo, de um romance, onde tudo deve ser imaginado. 

Essa verdadeira impossibilidade de criar imagens próprias significa um abafamento do pensamento imaginativo. Por outro lado, a rápida sucessão de imagens impede que o telespectador reflita conscientemente sobre o que está vendo. Postman , dá a duração de 3,5 segundos para cada tomada de câmera nos canais abertos, isto é, 17 por minuto. Mander  mediu uma média de 10 a 15 do que ele chamou de "eventos técnicos" (mudanças de imagem ou de som) por minuto.

 Eu mesmo fiz esse levantamento em 9/1/2000 e detectei 16,3 mudanças só de imagem em um comercial da Globo (Setzer 2005, p. 53). Um levantamento que fiz em 2008 deu uma média de 20 mudanças por minuto, sendo que em um video clip contei 60 por minuto, um verdadeiro festival psiquedélico! 

O leitor pode confirmar essas avalanches por conta própria. Imagino que nos video games de ação a velocidade de mudança de imagens aproxime-se da dos video clips

Faça-se a simples experiência de manter o pensamento ativo, refletindo-se sobre cada imagem ou fala transmitidas: em cerca de meio a um minuto ficar-se-á mentalmente exausto. 

Observando-se a si próprio, verifica-se o relaxamento mental que a TV produz; quando um programa exige algum raciocínio ele é normalmente considerado monótono, e a tendência é do telespectador mudar de canal, se já não tiver adormecido antes – há pessoas que têm uma proteção natural contra a TV: ligam-na e logo adormecem. 

O relaxamento mental associado à inatividade física (isto é, falta de exercício da vontade) faz com que sobre apenas a atividade interior de ter sentimentos.

É por isso que os programas apelam invariavelmente para as emoções. 
Mander  afirma simpaticamente que TV transmite violência não devido ao gosto dos telespectadores, mas por ser o que é melhor transmitido por esse aparelho . 

Para Neil Postman (1987, p. 87), para que algo seja transmitido pela TV e prenda a atenção do telespectador, deve sê-lo sob a forma de show; com isso, tudo no mundo transformou-se em show: educação, política, e até religião. Vale a pena citar o autor: "... o que estou dizendo aqui não é que a televisão é uma diversão, mas que ela transformou a própria diversão na forma natural de representar toda vivência" (idem). 

E o que não é feito em forma de diversão parece monótono, como em geral são as aulas nas escolas.


Goldfield et al. (2006) relatam experiência feita com 30 jovens com excesso de peso ou obesos (todos com IMnos 15% superiores da população em geral). 

Todos os jovens receberam monitores de atividade física, usados cada dia durante 8 semanas, com 2 reuniões semanais para descarregar os resultados. Eles foram divididos em 2 grupos, de 14 e 16 jovens; o primeiro grupo, de intervenção, recebia créditos de uso de TV, VCR ou DVD, na razão de 1 hora de uso desses aparelhos (o que foi controlado por aparelhos ligados na tela) para cada 400 contagens de atividade física (correspondentes a 1 hora dessa atividade). 

O segundo grupo, de controle, não recebeu esses "créditos", isto é, podia usar quanta TV quisesse.

O grupo de intervenção mostrou um aumento significativo na atividade física (65% para 16% do grupo de controle), aumento dos minutos de atividade moderada para intensa (9,4 para 0,3) e, o mais importante, diminuição dos minutos de ver TV (-116,1 para +14,3). 

Segundo eles, "... o grupo de intervenção também mostrou mais mudanças favoráveis na composição do corpo, ingestão diária de gorduras, e ingestão de energia de salgadinhos (snacks), comparado com o grupo de controle. Reduções no comportamento sedentário foram diretamente relacionados com reduções no IMC, ingestão de gorduras, e de salgadinhos enquanto viam TV." 
Assim, o estudo mostrou uma relação causal entre assistir TV e obesidade.

Enfoque para obesidade, mas sem duvida há ainda outros males a se considerar...Sem duvida alguma.




Referências:
1-http://www.ime.usp.br/~vwsetzer/efeitos-negativos-meios.html -Valdemar W. Setzer
Depto. de Ciência da Computação, Instituto de Matemática e Estatística da USP
www.ime.usp.br/~vwsetzer
Original de 12/08; versão 15.3 de 27/5/14


quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Sempre estaremos em guerra, será que é a única coisa que o ser humano sabe fazer?



Cansado de ficar calado... de só dizer sim? Eu estou!!




Fig1: A tentativa de milhares de pessoas de salvarem suas vidas, arriscando-se à morte de outra forma.


 Campo de Yarmouk, nos arredores de Damasco, onde vários dos ocupantes do prédio viviam na Síria Segundo a ONU, 18 mil pessoas resistem hoje no local “sob constante ameaça de violência armada, sem condições de acesso a água, comida e serviços básicos de saúde” (Foto: BBC)

Fig.2: O que sobra das cidades atacadas...

Dezenas de botes levando migrantes deixam a Líbia com direção à Itália ou à Grécia semanalmente (Foto: Mohamed Ben Khalifa/AP)


Fig.3: Dezenas de botes levando migrantes deixam a Libia com direção à Itália ou à Grécia semanalmente. (Foto: Mohamed Ben Khalifa)

Um grupo de 100 migrantes protestou nesta quarta-feira (2) diante da principal estação ferroviária de Budapeste, ao mesmo tempo que a polícia impedia que quase 2.000 pessoas embarcassem nos trens com destino a Áustria e Alemanha.
Os manifestantes exigiam o direito de viajar para a Alemanha.
 
IMIGRANTES
Milhares morrem no Mediterrâneo


Ao mesmo tempo, quase 600 homens, mulheres e crianças, a maioria procedentes da Síria, Iraque e Afeganistão, se reuniram diante da estação de Keleti, alguns deles sentados no chão, e outros 1.200 estavam do lado dentro, em uma 'zona de trânsito".
As autoridades esvaziaram na terça-feira a estação, depois que 500 refugiados e imigrantes tentaram embarcar em um trem com destino a Viena. A estação reabriu, mas os imigrantes tiveram o acesso proibido, sem um anúncio exato do período da proibição.
A retirada provocou um protesto na terça-feira, com quase 200 pessoas gritando "Alemanha, Alemanha" e "Queremos partir".
Na Grécia.
Chegam a ser 3 mil refugiados por dia chegando a diferentes pontos da ilha, de acordo com a ONG Rescue International.
"Famílias com crianças muito pequenas, grávidas e idosos chegam em botes infláveis superlotados ou são resgatados no mar. Chegam sem saber direito onde estão"
Segundo a Anistia Internacional, desde o início de agosto mais de 30 mil refugiados já chegaram a Lesbos, uma ilha com 86 mil habitantes. Temos que dar as mãos a esses povos, que perderam tudo, até mesmo o direito de viver, e de nascer.!!
Muito entristece-nos essas cenas.!!! 

Não era para ser assim: Creio que a humanidade foi um projeto que deu errado! Perdão!!!

A impressão que temos ao revisar essas imagens é que a terra pertence a pequenos grupos, que brigam pelo direito de tomarem conta do que nem é deles.

O Oriente perde toda a credulidade, história, dias de glória, e tudo o que mais que as gerações anteriores construiram, devido a grupos extremistas que simplesmente enlouqueceram.


Referências:
http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/saga-siria-o-drama-dos-refugiados-que-vivem-como-sem-teto-em-sp.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/guarda-costeira-da-grecia-resgata-2500-imigrantes-nos-ultimos-3-dias.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/08/precisei-me-segurar-para-nao-chorar-com-o-que-os-refugiados-me-contavam.html

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A vida segue seu fluxo ... Nada muda sem que você não permita!

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Que lugar é esse ? One club of The chess... greast ...