sexta-feira, 22 de junho de 2012

Benzeduras : Olho gordo...vento virado ... erizipela ... parto demorado etc...



"Há mais mistérios entre o céu e a terra , do que supõe nossa vã filosofia".
   



Peladura
   
“Santa Sofia tinha três filha.
Urna fiava, outra cozia.
Outra em chama de logo ardia.
O que eu vou fazer meu senhor?
Com sopro, com cuspe e com bafo.
Com isso mesmo se curaria.
Em nome de Deus e da Virgem Maria.
Todas as forças que assopram.
Todas as força que apagam.
Todas as Forças é Jesus quem tira.
Com as forças divinas.
Jesus tira o logo dessa zipra.
E zipela e zipelão.
Cortando o pé, cortando a cabeça.
Cortando a mão.
Não cresça, não enverdeça e nem lavre.
No corpo dessa criatura.
Com nome de Deus e da Virgem Maria.
Que isso não termina.
Que se acabe.
Com Deus todo Poderoso.”



Bicheira

"Anda cá, anda cá,
que o bicho vai morrer!...
- Eu te talho e retalho,
Aranha, aranhão,
cobra, cobrão,
bicho de toda nação...
Em louvor de S. Silvestre,
que quanto faço
tudo te preste;
que vais para trás
e pr'adiantenão..."


Domínio Público
Depoimento: “Vozes da Lagoa”. Ourofino, Bebel e Borges, Elaine





Arruda
Apesar de ter aplicação na medicina natural e até na preparação de bebidas, a arruda ficou famosa mesmo pelos seus "poderes" contra o mau-olhado e outras vibrações negativas.
Não é fácil determinar quando surgiu a fama da arruda (Ruta graveolens) como erva protetora. O que se sabe é que em culturas muito antigas, são encontradas referências sobre seus poderes contra as "más vibrações" e seu uso na magia e religião. Na Grécia antiga, ela era usada para tratar diversas enfermidades, mas seu ponto forte era mesmo contra as forças do mal. Já as experientes mulheres romanas costumavam andar pelas ruas sempre carregando um ramo de arruda na mão - diziam que era para se defenderem contra doenças contagiosas mas, principalmente, para afastar todos os males que iam além do corpo físico (e aí se incluíam as feitiçarias, mau-olhado, sortilégios, etc.).
  A Mãe, ainda nova, sem experiência... chegava lá em casa desesperada, não encontrara meu padrinho na cidade, (estava pra Salvador ), fazendo compras pra Farmácia, e manipulações para todos os tipos de males.
   E quase chorando trazia uma criança no colo ardendo em febre, já com os olhos virados e estatalados, sem força nem para chorar...o farmacêutico seu Miroca, se estivesse aqui, já teria dado um remédio pra criança,   enquanto isso, era minha mãe que resolvia os problemas mais comuns de saúde, como: Vento-virado , mau olhado , cobreiro , parto-demorado, bicho-de-pé, febre , sarampo , e mais outros males que apareciam de uma hora pra outra, e nem mesmo o doutor do Hospital Central, conhecia remédio bom.  Muitas vezes, ele passava um medicamento, e meu padrinho, ou minha mãe davam lá seus pitacos...ou trocavam na farmácia por outro medicamento.
  Tinha noites que já tarde chamavam minha mãe, porque a parteira não conseguia trazer a criança ao mundo, e a mãe também não tinha forças para realizar o parto. Ouvi dizer que minha mãe, fazia uma oração forte , e o menino era cuspido do ventre, e a mãe , nem sentia dor nenhuma, também passava umas ervas que eram para reduzir a hemorragia.
  Dona Nina ou Dina, se levantava durante a noite, pegava seu lampião, laçava a égua e, saía pela estrada afora atrás de algum homem - o pai ou o avô do que iria nascer...e, chegava no lugar depois de vários minutos de caminhada no galope da mula, para ajudar no parto.
  Nessas horas me recordo das grandes parteiras do Nordeste, que nunca ficavam mais do que dois dias sem fazer partos, no alto da madrugada, elas pegavam seu candeeiro... suas tolhas, tesoura, ervas, e lá iam desbravando sertão, para promover o nascimento de um candongo.
  Meu padrinho também era parteiro, mas quando não conseguia fazer o serviço, mandava buscar a cumadre Nina , para trabalhar com ele.
  No outro dia, recebíamos: laranjas, mandiocas, bananas-d´água, gerimun , batata doce, farinha , e toda qualidade de frutas.
  Quando a pessoa era muito simplizinha, e nada tinha; vinha oferecendo uma menina sua para trabalhar em casa, ou trazia um amarrado de feixe de lenha, ou mandava potes novos, de barro, moringas, etc...
   E, tínhamos que receber o presente, porque se não achavam que estávamos fazendo pouca conta deles.
  Haviam aquelas situações mais delicadas, em que ela atuava também , mas não gostava, e dizia que era porque a mulher não se precaveu, fazendo uma ducha quente de ervas após o caso feito. Claro que a menina Alicinha, sempre queria saber que caso era esse... e levava uns foras! que sabia pelos cantos resmungando...mas nem a Nita nessa hora vinha a meu favor. Só dizia - perde essa mania de fazer perguntas difícel. 

                      
 O Benzimento


Segundo o dicionário, a palavra benzer vem de fazer a cruz. E é com esse símbolo que a maioria dos benzimentos tem início.

Na cultura popular, corpo e espírito não se separam, tampouco desliga-se o homem do cosmos, ou a vida da religião. Para todos os males que atingem o corpo e a alma do homem sempre há uma reza para curar. É por isso que, apesar do tempo e dos avanços da medicina, a tradição dos benzedores ainda persiste na nossa moderna sociedade capitalista.

Acreditando ou não no poder da reza, tem sempre aqueles que procuram, nas rezas e nas benzeções, uma cura para a sua doença ou um alívio para a sua dor.

(Rezas, Crenças, Simpatias e Benzeções: costumes e tradições do ritual de cura pela fé - Vanda Cunha Albieri Nery -Centro Universitário do Triângulo – Uberlândia/MG)


CONTRA QUEBRANTO



Quando uma pessoa anda deprimida, mole ou cansada, diz-se que, lhe deitaram mau olhado. O mau olhado ou o quebranto, ambos muito parecidos, atingem pessoas, animais ou coisas, facilmente.

Pegar um copo com água, um galho de arruda, molhar o galho e ir benzendo, ao final; colocar o galho dentro do copo, se afundar, estava cheio de quebranto ir ao portão da rua, vira-se de costas e joga por cima dos ombros de quem se está benzendo, isso com a pessoa de costa para rua.



Obs.: Enquanto está benzendo dizer:



“Mal do ar, mal do mar, mal do fogo, mal da lua, mal das estrelas, mal do ponto do meio dia, mal do ponto da meia noite. Se tiveres co quebranto, mau olhado, feitiçaria e bruxaria, em nome de Deus e da Virgem Maria, seja levado paras ondas do mar sagrado, onde não canta o galo nem a galinha e nem tem criancinha chorando e nem cristão batizado. Depois rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria.”

  COM GALHO DE ARRUDA CONTRA MAU OLHADO E FEITIÇARIA



Dizer: Deus te fez, Deus te criou. Deus tire o mal que no teu corpo entrou. Em louvor de São Pedro e São Paulo, que tire esse mau olhado, inveja ou feitiçaria.

Assim como Deus fez o mar sagrado, assim ele te tire este mau olhado ou olho grande. Assim como Nosso Senhor foi nascido em Belém, e crucificado em Jerusalém, assim se vá o mal desta criatura se por acaso o tem. “Essa benzedura, deve ser realizada com um copo com água, ir molhando o galho de arruda dentro do copo e ir fazendo em cruz da cabeça aos pés”. No final, devemos jogar fora água e o galho de arruda, do portão para fora da casa. Repetir por três dias seguidos.

PROGRAMA TRANSMUTANDO 08/06/11, as 21h, na www.radiotoquesdearuanda.com.br sobre o benzimento!!!

Lei Municipal reconhece benzedeiras do Triunfo. Foto de Rede Puxirão de Povos e Comunidades Tradicionais no Flickr de Cultura Viva (CC BY-SA 2.0)


Num processo de continua luta e organização social das benzedeiras articuladas no Movimento Aprendizes da Sabedoria (MASA) em 22/02/2012 o Presidente da Câmara Municipal de São João do Triunfo promulgou a lei municipal nº 1.370/11, a qual reconhece a identidade coletiva das benzedeiras de Triunfo, regulariza o livre acesso as plantas medicinais por parte dos detentores de ofícios tradicionais de cura e propõe a construção de política municipal especifica de acolhimento das práticas tradicionais de cura nos sistema formal de saúde.

Sejam as curas reais ou fruto de efeito placebo, o ato de curar por meios não tradicionais é visto como um patrimônio imaterial da cultura brasileira pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ligado ao Ministério da Cultura. Além de trazer conforto espiritual, os curandeiros e benzedeiras do Brasil inspiram artistas, como o escritor Sinval Santos da Silveira, que narra a história e o segredo de uma benzedeira que mora em uma casinha de muito simples, sem luz elétrica nem água tratada:

Mulher de idade avançada, magrinha, mal alimentada,
e de um coração cheio de bondade…
Sobre uma pequena mesa, a imagem da Santa, em
quem deposita sua fé e a sua vida.
Benze, em nome da Santinha, curando torcicolo, arca
caida, dor de dente, dor nas costas, dor de olhos, de
garganta, de cabeça, mal olhado, inveja, etc.
Seus pacientes ou clientes, pelo trabalho milagroso,
nada pagam, nada devem.
O prazer de poder ajudar alguém, que lhe procura,
está acima de qualquer outro valor.
Só agora entendo, que o poder de cura daquela mulher,
sempre residiu numa única coisa, que tinha em excesso,
em sua humilde casinha: muito amor…

   O mundo não seria o que é hoje, se não houvessem pessoas determinadas a curar , os irmãos de caminhada, nesse caso podemos citar: Ana Nery , Florence Nightingale , Louis Pasteur , Sabin , as anônimas parteiras do sertão e as da cidade, dona Dina , e seu Alcides Magalhães. entre outros.


Postagem em Homenagem a essas pessoas.. e às inúmeras lotadas nos Hospitais: Enfermeira(o)s , médicos , psicólogos , fisioterapeutas , técnicos e auxiliares de Enfermagem etc... que abdicaram de suas próprias vidas em favor de outras tantas, sem muitas vezes receberem sequer um "Muito Obrigada"..


Colaboradora : Paula Góes - Mãos que curam , palavras que salvam.




Como não poderia deixar de ser ; a minha singela homenagem também a Luiz Gonzaga e seu xote da parteira.


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Viva São João ... São Pedro e Santo Antonio.


Postado por baruchess@gmail.com






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quinta-feira, 21 de junho de 2012

Êta seca braba - O Nordeste parecia que ia incendiar...Ensaboa mulata, ensaboa!! Sustentabilidade?



        " Êta tempos dificil - êta Nordeste que sofre...terra de mulheres fortes...Voltavam do rio com a troxa de roupa,e, ainda carregavam os meninos nas costas..."




    A seca castigava. 


  E, embora ninguém ouvira o termo sustentabilidade, todos sabiam que seria preciso poupar a água.


    Por isso minha mãe, dizia: Banho rápido e pouco... nada de ficar molhando calçada, ou dando banho na mula... e a roupa deve ser lavada somente uma vez por semana...e não pode ficar trocando de vestidos e meia etc...


   Essa seca tá parecendo a de 32!... que ainda me lembro que mamãe controlava até a água do pote, e quem pedia um copo d`água ela media a quantidade, e não oferecia mais.


    Assim , se minha intuição não falhar vai demorar uns 12 meses sem chuva na caatinga... e vamos ter que beber água do cactus, só sinto pelos animais... principalmente.


    A gente sabe poupar!!!


    Nem sempre dizia a minha prima, Joanita...a dona Sinhá tá levando uma trouxa enorme pro rio, e pelo jeito vai ficar por lá o dia todo...até secar o rio de vez!


   Mas , interveio a irmã Cristina: Ela vevi disso eu heim ... ocês agora vão querer que a muie pare de ganhar seu tostão.... o que ela vai colocar na boca dos fios?


   Com isso já havia ferido os ouvidos da família toda, e, antes de ser dada a resposta, eram feitos as correções lexográficas e de línguagem!


   Ha... vão pra M...! ela saía dando pinote que nem burra braba...e. não voltava pra ninguém dizer o que achou da opinião que dera. 


   Essa menina é revoltada, dizia a mãe.


   E, Alicinha logo queria saber o que era uma menina revoltada? O que nem sempre alguém me daria a resposta, tinha que esperar até o dia seguinte pra perguntar à professora Honorina, (e minha madrinha de crisma), que era a mulher mais inteligente e, sabia as respostas pra tudo o que a gente perguntasse!.


   Meu irmão chegava e falava assim: É melhor ser uma menina revoltada do que burra.... Uahsuahsuahus.... sabendo que eu iria me zangar e, sair correndo atrás dele com o que tivesse na mão, ao que meu irmão Luiz Carlos vinha me ajudar... deixa que eu bato nela!. 


   Nele... o outro o corrigia, e ai a correria pela casa era o dia todo...


   Até minha mãe vir com o chicote atrás de nós, dava umas lanhadas nas pernas, de cada um, exceção para o Luiz , porque ele era diferente!


    Só que já havia uma semana que Nitinha não levava a roupa pra lavar, no rio- velho Chico, e estavamos quase sem roupa de andar em casa...e a menina Alice tinha que ficar sentada na porta da rua olhando as outras crianças se esbaldarem, porque ela, estava usando suas melhores roupas de cambraia importada, e não podia correr o risco de alguém rasgá-la ou manchar com nódoa de manga, ou sorvete de tamarindo.


     Nita eu posso ir também lavar roupa da Rita Pavone (minha boneca)?


     -Claro Licinha , até porque eu fico preocupada com você ficar ai em casa sózinha! Luiz e Amaury vão pro bar de Blandina, mas lá não é lugar pra você... e na casa de seu avô Nilino, tem o Tonho que implica com você, e puxa seu cabelo... é melhor você vem com a gente.


    Um adrendo: O Tonho era um negritinho que minha tia Rosalina adotou , filho de uma irmã sua que desapareceu na garupa de um caxero viajante, sertão adentro. O menino achava que a mãe tinha morrido.. mas um dia ela reapareceu, e a irmã não queria que o menino soubesse da mãe, mas essa tinha lá seus direitos, e carregou o menino pra morar com ela, mas não aguentou o moleque , porque era comilão, e ainda por cima chorava demais.
  A mãe depois de um tempo veio devolver o filho, e arribou pra São Paulo!!!


    Bem... coloquei meu chapéuzinho branco, e um vestidinho quadriculado de vermelho e branco, umas chinelas, e fomos pro barranco... eu , Cristina e a Nita, ambas de saias floridas de chitão, uma rodilha na cabeça.. lá íamos nós.
   Esse dia era também um dia cheio de novidades, e fofocas...


   Ao chegarmos na beira do rio, uma cem lavadeiras já estavam por lá, tivemos que aguardar a fila andar - até porque o barranco não cabia mais ninguém: Estavam lá: Luiza de Bueno, dona Maroca , Helena , Tina , Lucinda , Valdelice ,e muitas outras anônimas trabalhadoras da limpeza da roupa.


   O sabão era feito de mamona e de coco, e o cloro pelo jeito já existia pois a brancura das roupas dos seus Coronéis era de dar inveja a qualquer doutor... além do anil que era certo ter. 


   Esse momento, apesar de ser duro, também era o momento das moças , senhoras e negrinhas trocarem receitas de todos os tipos, digo negrinhas porque a população baiana é 90% de negros, então era comum a gente chamar umas ou outras de preta, era também um apelido carinhoso, e além do mais , já não havia mais escravatura, portanto as donas de casa eram as próprias lavadeiras, em sua maioria... exceção àquelas em que o padrão de vida favorecia que tivesse empregadas, pois o hábito na maioria das vezes, era de se adotar meninas muito novinhas, e à medida que cresciam iam tomando seus lugares nos afazeres da casa, mas chamavam a mãe de mainha! igual aos filhos naturais.


   Minha madrinha dona Nina por exemplo, tinha dois filhos dela, e seis ou sete de cria!!!`Portanto tinha gente suficiente para as tarefas da casa, e ela trabalhava na Farmácia que herdara do pai , meu padrinho: Miroca, marido de Pombinha.


   Outro costume muito normal por aquelas bandas, era o uso de apelidos! Muitas vezes cada um bem feio longe dali...


    No rio, o sol era escaldante, e Cristina reclamava que ia ficar mais preta do que já era...e achava que era uma mentirada só dizerem que a princesa Izabel assinara a Lei da Abolição da escravidão, porque aquilo ali era a própria escravidão! Sua irmã ralhava com ela, mas não tinha jeito, ela ia falar até cansar que a escravidão na Bahia ainda existia!!


   Deixa Nita ela falar, minha mãe não disse que ela é rebelde!?
bobagem mandar calar a boca!


   E assim, aquelas duas e outras mocinhas da época, ficavam ali, naquela escravidão com certeza , esfregando, batendo, ensaboando a roupa dentro de bacias enormes, torcendo, com aquelas mãozinhas ainda pequenas, e já cheia de calos de tanto trabalhar, quaravam no capim, e tinham que tomar conta pra não trocarem as roupas, e trazer roupas piores as que tinham levado.e, enquanto as roupas das outras famílias, tinham vestidos, a nossa pelo menos as de minha mãe, eram na maioria calças compridas, pois ela seguia a linha do Rio de janeiro década de sessenta, e usava com suas blusas de mangas compridas dobradas tipo homem, e as calças compridas, o que fazia com que as mulheres a admirassem, e os homens criticassem, e/ou vice-versa.  


   Finda a tarefa depois de horas expostas ao sol voltávamos com as bacias de alumínio na cabeça, e uns meninos trazendo água nos potes amarrados aos burros para fazer a comida, pois a água do poço que nos abastecia era barrenta e saloba!....







Projeto: Memórias dos brasileiros






GERAÇÃO DE RENDA

Mulheres lavam roupa no Parque do Cocó

09.05.2010
Clique para Ampliar
MUITO TRABALHO: as lavadeiras têm de acordar muito cedo, carregar carrinho de roupa, passar o dia na labuta, sem ganhar muito por tudo isso. Elas querem mais valorização
JOSÉ LEOMAR
Apesar de existir uma estrutura montada no local só para que elas trabalhem, falta reconhecimento
Quem passa pelo cruzamento formado pelas avenidas Engenheiro Santana Júnior e Padre Antônio Tomás, na Capital, pode desfrutar da vista da bela paisagem do Parque Ecológico do rio Cocó. No entanto, poucos sabem que, ali, um grupo de mulheres utiliza o espaço para garantir o sustento de suas famílias, lavando roupas.

O lugar, repleto de árvores, pássaros, riachos e trilhas, além de receber estudantes, virou atrativo turístico. Pela manhã, é possível ver também dezenas de pessoas correndo ou fazendo uma caminhada. Mas, muito próximo a tudo isso, existem mulheres trabalhando. Muitas vezes, parecem ser invisíveis aos olhos de quem passa ali, entretanto, há 30 anos, elas lavam roupas no rio Cocó.

A rotina da lavadeira Maria do Socorro da Silva, 63 anos, começa às 5h da manhã. Ela acorda cedo para deixar o almoço pronto para a filha, enche o carrinho de mão com cerca de 50 quilos de roupas e segue caminhando cerca de uma hora do Conjunto São Vicente de Paula, mais conhecido como Comunidade das Quadras, até o Parque Ecológico do rio Cocó.

Esforço
Maria do Socorro nasceu no município de Sobral, região Norte do Estado, mas aos 20 anos de idade soube, por intermédio de amigas lavadeiras, que teria oportunidade de trabalho na Capital e veio morar em Fortaleza. "No início, eu lavava roupas no Parque Rio Branco, mas logo fomos impedidas. Então, no ano de 1979, viemos lavar no Rio Cocó ", lembra.

Ela conta que, no começo, o lugar era muito perigoso e sem estrutura. Mas, nos últimos anos, com o segurança da Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA), o trabalho ficou mais fácil. Além disso, em 2006, diante de um abaixoassinado realizado pelas lavadeiras, o Governo do Estado construiu uma lavanderia toda equipada para que elas pudessem trabalhar com conforto.

Segundo a assessoria de imprensa da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), essa foi também uma maneira de evitar a poluição do Rio Cocó, pelo sabão utilizado por elas. Mas, apesar da tranquilidade do lugar, do vento fresco e do canto dos pássaros, Maria do Socorro diz que não é fácil a vida de lavadeira, pois faltam reconhecimentos social e financeiro. Ela ressalta que, muitas vezes, fica no prejuízo. "Se não fosse a minha aposentadoria, morreria de fome, pois minhas patroas só me pagam R$ 30,00 por dois dias inteiros de trabalho", desabafa.





http://pitacodoleo.com.br/blog/4890/as-lavadeiras-do-sao-francisco/



 
http://www.portaldoenvelhecimento.org.br/artigos/z995.htm






 



                       Foto compartilhada de Fred Santos.


                                  Tô pasma: Já vem outro final de semana.. bjusss....


A alma do Brasil - é o forró!! Renata Perón - 


Praça da República.. São Paulo. Terra de muitos costumes...e pertence a todo mundo...


" Pra surdo ouvir....pra cego ver...esse xote faz milagre acontecer"  


Bom final de semana...E haja inspiração Senhor...bjusss!









segunda-feira, 18 de junho de 2012

O perdão... é o melhor de todos os remédios.




      O São Francisco também se enfurecia com os abusos cometidos à natureza naquelas cidades em que ele passava: Ibotirama , Caitité , Remanso , Casa Nova, Xique-Xique, Paratinga...


     De tempos em tempos as suas águas transbordavam , deixando os moradores ribeirinhas sem casa... e, até a casa do meu avô que era de certa forma afastada das margens , fora invadida.






   Mas se acham que meu avô se aborrecia com o rio : Nunca!!


    Aliás aquele homem , possuía dentro de si uma filosofia que depois de muitos anos , ainda não conheci ninguém daquele jeito, para cada situação ele tinha uma saída , uma explicação , um dizer apropriado.


    Em uma de suas viagens pelo sertão a dentro , no lombo do jumento, acompanhando algum padre da época, eles pararam numa fazenda para uma pausa, fugindo do sol quente próprio do sertão nordestino.


    De repente, viram um homem preparando seus instrumentos de trabalho , pois o mesmo era vagueiro , e perceberam que havia um canivete, e um revólver, que não deveria fazer parte do material comum, pensaram que poderia ser para uso próprio, pois naquelas terras haviam frutos pelo meio do caminho, e nenhum viajante ficara de todo sem alimento por aquelas pastagens, e alguns animais ferozes... mas pela fisionomia do homem , meu avô com sua psicologia, comentou baixinho com o Padre: 


    - Salve aquela alma!


    O Padre Mario (era esse) - não entendeu a proposta e respondeu deixe ele que já foi salvo pelo sangue!


    Não!!... ele pode estar salvo , mas vai cometer um ato que irá jogá-lo de vez no inferno!!


    Como padres sempre querem salvar almas, o mesmo levantou-se e, dirigindo-se ao rapaz, que de perto era bem mais moço do que parecia - cumprimentou-o:


    - Bom dia amigo.


    - Nada de bom tem nesse dia seu padre.


    - E, porque não haveria de ter ?


    - Nada não! Tô apressado... dizendo isso subiu em seu cavalo e já ia dando a partida quando o homem de batina entrou na frente do bicho. O que obrigou o outro a puxar o arreio com força para parar o animal , e, não atropelar o vigário.


   Desceu enfurescido, e gritou : 


   - Você é louco? Eu poderia ter te machucado!?

   - Poderia sim, mas ia te fazer menos mau, do que a sua ação quando saísse daqui!


   Ao que o mesmo retrucou:


   - Não é da sua conta, o que eu vou fazer quando sair pela aquela estrada a fora. A vida é minha!faço dela o que bem entender...


   -  Nem sempre amigo... tudo o que se faz aqui na terra vai repercutir lá no céu.


   Não me venha com balela e conversa frouxa seu vigário. Tenho umas contas a acertar com um sujeito, uma dívida que já não era sem tempo.


   Nessa hora meu avô, interveio:


- Se a vida dele não vale um vintém furado pra você, ao certo pra família dele e pra mãe valem muito.


   Nisso o homem se sentou, e lembrou-se de quando os dois eram pequenos, e que sua mãe morreu de parto, a mãe do amigo , o trouxe para casa e preparou depois do velório, um café forte e sortido de todas as delícias que ele amava e colocando na mesa , disse: Sempre que você quiser venha aqui para se alimentar com a gente, minha família é numerosa , mas haverá sempre um lugar à mesa pra você...


   Meu filho fala muito de como vocês são companheiros de todas as horas... que o ensinou a laçar o boi , embora ainda novos... de como se tornarão um peão de elite - creio que serão os melhores da região!
  E praticamente o adotou em sua família, pois o pai deste também morreu de cirrose e abandono depois da morte da esposa, os filhos foram espalhados aqui e ali, indo morar na casa das madrinhas, como era o costume da terra.


   E, inconformado com as lembranças de infância - sentou e chorou.


   Depois de longo tempo resolveu contar-lhes a história do que o revoltara contra seu amigo; tratava-se de sua ex-namorada Roselita, que depois de 2 anos de namoro foi se apaixonar pelo amigo, após uma briga que tiveram.. e ele a agrediu, e quem chegou para socorrê-la foi justamente o amigo, pois, quase havia quebrado o braço da namorada...


   À pártir dali - ela logicamente não confiou mais nele, e começou depois de uns meses a namorar o amigo...
   Até porque, os dois já estavam brigados, e não trabalhavam mais como antes, embora fizessem parte da mesma fazenda, e eram os melhores vaqueiros das redondezas, seu patrão - o capataz fez com que eles se mantivessem como parceiros no serviço, mesmo não se falando fora da atividade.


  Nessa manhã, soubera por terceiros, que a moça engravidara do amigo , e estava de casamento já marcado pra próxima semana...e o Tião (esse era seu nome) não se conformara... e, morto de ciúmes,  resolveu que mataria o moço... pois não aguentava mais ver a felicidade dos dois.


  Nesse momento meu avô - olhou para o moço, e para o padre... e após num gesto fizeram um pedido ao moço:


  Perdoe! O perdão é a única forma de nos aproximarmos do humano.
  Só ele nos aproxima de Cristo, e lembrou-lhe das últimas palavras do Salvador , na cruz: Pai perdoai essas pessoas , pois não sabem o que fazem.


   Após perceberem que este havia se regenerado,prometendo que não mais mataria o amigo...e perdoaria o amigo, o acompanharam até a sede da fazenda - o que foram muito bem recebidos, e ainda puderam ver os amigos se abraçando , e trocando as palavras necessários a quem perdoa. e , esquece o mau que um tenha por acaso feito ao outro.


   Meu avô voltara nesse dia para casa com a satisfação de quem realmente salvara alguém.. e feliz dizia:
 
   Minha intuição mais uma vez livrou um homem da morte, e um filho de nascer sem pai!


   Uma semana bela e radiante....cheia de Paz e do perdão Maior!!!


                      besos...


Postado por: baruchess@gmail.com






                                                   Caimmy e eu.... in Rio.

 



            Enquanto houver sol ... ainda haverá: a Esperança...

 





 




domingo, 17 de junho de 2012


    

 Os autores consagrados nos inspira;  hoje me veio às mãos um livro chamado: AS CEM MELHORES CRÔNICAS BRASILEIRAS, Objetiva, Rio de Janeiro,2005 (www.objetiva.com.br ); uma coletânea de crônicas de vários autores, entre eles:  Rubens Braga, Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de AndradeLygia Fagundes , Rubens Braga , entre outros...
Encontrei essa graça de texto de Elsie Lessa, que fala exatamente do modo como eu falo.
Por isso, pedindo permissão à autora,  transcrevo-a para essas páginas...   

                 “Gente”
     De repente, escolhemos a vida de alguém. Era essa que a gente queria. Naquela casa grande e branca, na rua quieta, na cidade pequena. Sim, estamos trocando tudo. Era ela que a gente queria ser, aquela serenidade atrás dos olhos claros, aquela bondade que se estende aos bichos e às coisas, tão simplesmente. E aquela mansa alegria de viver, aquele risonho voto de confiança na vida, aquela promissória em branco contra o futuro, descontada cada dia , miudamente, a plantar flores, a brunir a casa, a aconchegar os bichos.
     Era naquele porto que a gente gostaria de colher as velas, trocar a ansiedade, a inquietação, a angústia latente e sem remédio, o medo múltiplo e cósmico, todas as interrogações, por aquela paz. Acordar de manhã, depois de dormir de noite, achando que vale a pena, que paga, que compensa botar dois pés entusiasmados no chão. Abrir as bandeiras das venezianas para que o sol entre, com o gesto de quem abre o coração. Qual é o hormônio, e destilado por que glândula, que dá a uma mulher o gosto de engomar, tão alvamente, a sua toalha bordada para a bandeja do café? Há uma batalha bem ganha, cotidianamente renovada, contra o pó e a traça e a ferrugem que tudo consomem. Dentro dos muros da sua cidadela, as flores viçam, a poeira foge, nada vence o alvo imaculado das cortinas, os cães vadios acham lar e dono.
    E é esse um modo singelo mais difícel de ter fé. Cada bibelô tem uma história, diante de cada retrato há um vaso de flor, para cada bicho há um gesto de carinho.
    “Mulher virtuosa, quem a achará? Porque o seu valor excede ao de muitos rubis” – cansei eu de ouvir, na escola dominical, e olho em torno a indagar quantos e que orientais rubis pagarão aquele miúde, enternecido carinho, que pôs flores nos vasos e cera no chão e transparência nos vidros e ouro líquido no chá. Oh, a perdida paz fazendeira deste chá no meio da tarde, que as mulheres do meu tempo já não sabem o que seja, misturado a este morno cheiro de bolo e torradas que vem da cozinha! Somos uma geração que come de pé, que trocou os doces ritos que cercavam o nobre ato de alimentar-se, por uma apressada ingestão de calorias. Já não comemos, abastecemo-nos como um veículo, como um automóvel encostado à sua bomba.     
     Trocamos as velhas salas de jantar por mesas de abas, que se improvisam às pressas, de um consolo exíguo encostado a uma parede. E o que sabe de um lar uma criança que não foi chamada, na doçura da tarde, do fundo de um quintal para interromper as correrias, lavar mal-e-mal as mãos e vir sentar-se à mesa posta para o lanche , com mansas senhoras gordas que vieram visitar a mamãe? É a hora dos quitutes, das ingênuas vaidades doceiras, da exibição das velhas receitas, copiadas em letra bonita de um caderno ornado de cromos.
    Somos uma geração que perdeu o privilégio de não fazer nada, aquele doce não-fazer-nada que é a mansa hora do repouso, o embalo da rede na frescura de uma varanda, a quietude ensolarada de um pomar em que o sono da tarde nos pegou de repente, a hora de armar brinquedos para as crianças, das visitas que chegam sem se fazer anunciar, pois na certa estaremos em casa para uma conversa despreocupada e sem objetivo. Somos uma geração de mulheres que saem demais de casa, para trabalhar ou para se divertir, e perde metade da vida indo ou vindo para não se sabe onde, fazendo fila para comprar, tomar condução ou assistir a um cinema. Perdemos o abençoado tempo, de perder tempo, de não fazer nada, a única hora em que a gente se sente viver. O mais é a canseira e aflição de espírito.
   E foi tudo isso que reencontrei, de repente, na casa grande e branca da rua quieta.
                                                                                                                   Elsie Lessa/Págs 155 e 156.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Era uma vez... o Amor...e ao seu lado, sua irmã : A Amizade...

Eu apenas queria que você soubesse...

Luiz Carlos Prestes e Olga Prestes ... calabouços ...


Gonzaguinha ... John Lennon... Cora Coralina...


Professor Manuel Miguéis... Saint Exupery e seu Pequeno Príncipe.


Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Exupéry



           A década de 80, na minha vida. 


Foram os anos mais bonitos e significativos que vivi...a felicidade e a no que ainda estaria por vir determinava o que seria melhor para se fazer...


As idéias e os ideais, saltitavam na mente... me recordo que foi o período em que mais joguei xadrez, tendo alcançado meu melhor rating (sei que hoje me consideram uma simples capivara), e não tenho vergonha nenhuma nisso... mas já tive dias de glórias e fama...nos tableros...quem duvida pergunta ao meu amigo caríssimo professor Manuel Miguéis..


Bem, voltando aos anos dourados do início da juventude, a perspectiva de entrar numa Faculdade era legitimamente clara, em mim e no meu grupo!!! 


Observávamos como nossos professores (alguns ainda acadêmicos)  se expressavam, e falavam da vida dentro de uma Universidade


Os descobrimentos científicos , tecnológicos e matemáticos...a participação na UNE - União Nacional dos Estudantes, e na vida política do país... o enfrentamento das mais variadas situações de risco...


Paralelamente líamos Luiz Carlos Prestes e sua biografia , Olga Prestes ... as histórias dos calabouços e das pessoas desaparecidas por conta de um sistema que infringia mandos nos jovens. escutavámos as aulas de professor Herodoto Barbeiro, transmitidas tão bem pelo nosso professor de História Antonio Jorge....recém formado pela Universidade Rural... aliás as faculdades Federais eram nosso sonho de consumo...abríamos mão de passeios , bailinhos.... praias, finais de semana prolongado , namoros etc... para enchermos as salas de aula aos domingos, naqueles afamados projetos: Falcão e outros que nem me lembro mais os nomes que davam...e, assistir uma aula de Física com Dilson Araujo; Química professor Ivan ; Matemática Fernandão..., História com Antonio Jorge ou Português com Sidney Silva. 


Aquilo era nosso mundo - nossa chance de vitórias! de realizações.


Rita era minha amiga e companheira inseparável.


Também ali no Cursinho EME e, no Curso Normal que fazíamos paralelamente. 


Um dia assistíamos uma aula de Português com um professor bonitão e super simpático detentor de uma nobreza para transmitir seus conhecimentos da Língua portuguesa... de uma forma que ninguém deixava de aprender um conceito de Metonímia , Metáfora ou Pleonasmo.. enfim ali na terceira fileira o encaravamos e pensamentos vagos saltitavam através dos olhares..


Quando de repente, olhei para minha amiga ao meu lado , e suas mãos desenhava coraçõezinhos aos pares em seus alfarrapos cadernos descuidados... 


           Rita


Pronunciei-me baixinho porém energicamente: O que significa isso minha amiga?!


Você não tá prestando atenção a nada que o Sidney está falando .. quando percebi que nenhuma anotação havia nas folhas...  


E ela com olhar e sorriso de uma adolescente apaixonada me disse: Que culpa eu tenho se o amo?!


Nada do que ele fala eu capto - pois só ele me interessa não suas palavras !


E, agora a sua expressão era de medo ... e de dor... as mãos se tornaram trêmulas! E seu aspecto era o de quem sentira:
Uma dor que não era real .... nem física, mas, que vinha da alma! portanto real se tornara.


Uma dor que dilacerava seu peito ....e a fazia arder sua cútis...


A dor de amar ...a dor do não ter ... a dor de ser , e de querer ...e de não poder...e de não ter - de sentimentos soltos, destacado solitário/e solidão.


Olhei para a minha amiga, e a fiz sair da sala , pois de seus olhos brotavam lágrimas.


O professor nem percebeu... eram tantos alunos e perguntas e textos ...e gestos .... mímicas .... risos entrecortados por preocupações... de transmitir conhecimentos.


Porque naquela época nossos professores vibravam com a nossa vitória...faziam mural com o nome dos aprovados ...colocavam em jornais de bairro. Jornal de Educação etc... 
Traziam convidados ex-alunos para falarem da experiência de entrar numa Universidade... no pós Golpe Militar.


Ele apenas nos olhou e disse: Estarei dando essa mesma aula mais tarde - caso não possam assistir toda ela agora.


E foi o que aconteceu- desci as escadas com a minha amiga...que agora já resignada ligava para seu noivo.


Essa amiga, vivia em mundos paralelos. 


Era amada e amava outro.. tivera um caso fortíssimo com outro ex-professor o Robson, e tudo havia dado em cinzas... acho que transferiu sem querer a admiração para esse agora...sem perceber... triste sina.


Após falar do que a afligia... e, depois de tomarmos o terceiro ou quarto chopp, e, darmos umas tragadas de um cigarro de alguém, que nos ofereceu naquele galeto - já conseguiamos relaxar.


Acho que quem nos deu um cigarro era um amigo do Clube de Xadrez (se não me engano), mas esse fato não é relevante agora... 


Comemos um galeto ... e tomamos alguns chopps... contavamos antes o dinheiro de ambas para não passarmos vergonha de ficarmos sem dinheiro das passagens de volta à casa....


É impressionante como um cigarro e um chopp em certos momentos desfaz neuras e deixa-nos serenas!!!


Enfim... ainda pudemos voltar para o Cursinho lúcidas e assistimos a aula do professor novamente....


E acho até, que, apreendemos muito mais agora nesse segundo momento....


Tudo isso, creio serve, apenas para hoje deixar claro - que a amizade é indissolúvel...incomensurável...inimaginável ante a realidade que se abre a todo momento...aos pedidos de amar..e de ser amados...ante mesmo às preces de Cáritas e de São Francisco de Assis...


Quanto de verdade tem o poder de nos transformar...um amigo!!!


De nos fazer alçar voo ... se lançar ... velejar...


Trazer à tona a realidade de que sozinhos , não podemos sermos gente...


De transceder alhures ... algures ...tempo...lugares .... ruas ... e de nos tornar melhores do que fomos antes...


Como falou tão bem expressado Saint Exupéry:







"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"




"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "


Quem encontrou uma amigo encontrou um tesouro.


E nesse tempo embalavamos nossos encontros com Gonzaguinha e John Lennon.  


Com Chopp gelado ... e algum cigarro comprado no varejo ou furtivamente adquirido do bolso de um casaco ...do tio ...primo ...irmão e da mãe ou do pai...


Mantinhamos uma Fé Viva


Em que dias melhores estariam por vir. 
Isso era tão certo quanto o sol que iria nascer dia seguinte...caso não viesse a chuva!





Mas acima de tudo acreditavamos também no amor e na amizade - esses dois personagens que povoavam nossos sonhos.... nossas lembranças ....nossa juventude e esperanças no futuro.



Um dia ele (nosso professor de Português) nos disse mais ou menos algo assim a respeito do Amor e da Amizade.


A Amizade e o Amor são irmãos. 
Com algumas diferenças individuais :


Ele , o Amor.... cobra . A Amizade aceita o que lhe vier e for dado.


Ele , o Amor.... reclama ....quando chegamos atrasados num encontro. 


A Amizade nos abraça à nossa chegada e diz: que bom que você veio! 
E ainda: estava ficando preocupada que estivesses em apuros, ou ficado doente....e, que não pudesses vir!


Ele , o Amor é ciumento ... e, se conversamos com outra pessoa mais tempo : Logo acha que o estavamos traindo!


A Amizade : Não; quando sabe que estavamos conversando com outro amigo... logo quer saber como ele está(?) e, porque não veio junto!?


Ele , o Amor quer nos modificar .... criticar-nos ... moldar-nos ao seu jeito e feitio!


Ela : A Amizade sempre nos aceitou da forma como nos conheceu, e , se extrapolamos , ela nos puxa pelo braço num cantinho e diz: Cuidado ... mostre-se menos ...certas pessoas não vão te entender como eu te entendo. 
Observe antes de se mostrar e cair a fundo nesse questão/relacionamento!!!


Ele o Amor , te quer só! 
Para ficarem a sós... isoladamente ... você e ele!
Te excluir de programas com mais de 4 pessoas... ir para lugares fechados...


A Amizade quer ajuntar gente... rir ..dançar .... brincar .... passear no campo... fazer pique-niques... luaus...


Ele , o Amor quer enclausura-lo... e morre de ciúmes quando alguém te elogia , te cumprimenta mais carinhosamente.


Ela , a Amizade diz assim : Como eu gosto desse cara...só porque ele gosta de você!


E, assim era a visão dele , nosso querido professor. Ensinou-nos a apreciar a poesia como se aprecia um bom vinho: E entre seus autores preferidos estavam: Cora Coralina ... a divina senhora das letras, além de Cecília Meirelles, e Clarice Lispector.






Nosso professor também nos ensinou um pouco sobre o amor lido e escrito...


Embora soubesse que nossos corações eram ardentes pelo outro tipo de amor..


                           Besosss... no coração...


Pudesse eu abraçaria a lua... trazia para dentro de minha casa.. e a colocava bem na minha cama.


Trocariamos segredinhos e confissões...diria-lhe do amor que tive ... dos que quis ter ... dos que morreram antes mesmo de germinarem.


.
                             Somente nos duas : A lua e eu...


postado por baruchess@gmail.com






Obrigada pela visitinha... Deixe um sorriso na saída....e uma semana plena e abençoada pra você e, todos os seus ...



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Seja feliz... mesmo sabendo que a sua felicidade é o transtorno e o incomodo de muito gente!!!


Envie-lhe bons fluídos etéreos ainda assim..... Shallom!

A vida segue seu fluxo ... Nada muda sem que você não permita!

A vida segue seu fluxo ... Nada muda sem que você não permita!
Que lugar é esse ? One club of The chess... greast ...