quinta-feira, 21 de junho de 2012

Êta seca braba - O Nordeste parecia que ia incendiar...Ensaboa mulata, ensaboa!! Sustentabilidade?



        " Êta tempos dificil - êta Nordeste que sofre...terra de mulheres fortes...Voltavam do rio com a troxa de roupa,e, ainda carregavam os meninos nas costas..."




    A seca castigava. 


  E, embora ninguém ouvira o termo sustentabilidade, todos sabiam que seria preciso poupar a água.


    Por isso minha mãe, dizia: Banho rápido e pouco... nada de ficar molhando calçada, ou dando banho na mula... e a roupa deve ser lavada somente uma vez por semana...e não pode ficar trocando de vestidos e meia etc...


   Essa seca tá parecendo a de 32!... que ainda me lembro que mamãe controlava até a água do pote, e quem pedia um copo d`água ela media a quantidade, e não oferecia mais.


    Assim , se minha intuição não falhar vai demorar uns 12 meses sem chuva na caatinga... e vamos ter que beber água do cactus, só sinto pelos animais... principalmente.


    A gente sabe poupar!!!


    Nem sempre dizia a minha prima, Joanita...a dona Sinhá tá levando uma trouxa enorme pro rio, e pelo jeito vai ficar por lá o dia todo...até secar o rio de vez!


   Mas , interveio a irmã Cristina: Ela vevi disso eu heim ... ocês agora vão querer que a muie pare de ganhar seu tostão.... o que ela vai colocar na boca dos fios?


   Com isso já havia ferido os ouvidos da família toda, e, antes de ser dada a resposta, eram feitos as correções lexográficas e de línguagem!


   Ha... vão pra M...! ela saía dando pinote que nem burra braba...e. não voltava pra ninguém dizer o que achou da opinião que dera. 


   Essa menina é revoltada, dizia a mãe.


   E, Alicinha logo queria saber o que era uma menina revoltada? O que nem sempre alguém me daria a resposta, tinha que esperar até o dia seguinte pra perguntar à professora Honorina, (e minha madrinha de crisma), que era a mulher mais inteligente e, sabia as respostas pra tudo o que a gente perguntasse!.


   Meu irmão chegava e falava assim: É melhor ser uma menina revoltada do que burra.... Uahsuahsuahus.... sabendo que eu iria me zangar e, sair correndo atrás dele com o que tivesse na mão, ao que meu irmão Luiz Carlos vinha me ajudar... deixa que eu bato nela!. 


   Nele... o outro o corrigia, e ai a correria pela casa era o dia todo...


   Até minha mãe vir com o chicote atrás de nós, dava umas lanhadas nas pernas, de cada um, exceção para o Luiz , porque ele era diferente!


    Só que já havia uma semana que Nitinha não levava a roupa pra lavar, no rio- velho Chico, e estavamos quase sem roupa de andar em casa...e a menina Alice tinha que ficar sentada na porta da rua olhando as outras crianças se esbaldarem, porque ela, estava usando suas melhores roupas de cambraia importada, e não podia correr o risco de alguém rasgá-la ou manchar com nódoa de manga, ou sorvete de tamarindo.


     Nita eu posso ir também lavar roupa da Rita Pavone (minha boneca)?


     -Claro Licinha , até porque eu fico preocupada com você ficar ai em casa sózinha! Luiz e Amaury vão pro bar de Blandina, mas lá não é lugar pra você... e na casa de seu avô Nilino, tem o Tonho que implica com você, e puxa seu cabelo... é melhor você vem com a gente.


    Um adrendo: O Tonho era um negritinho que minha tia Rosalina adotou , filho de uma irmã sua que desapareceu na garupa de um caxero viajante, sertão adentro. O menino achava que a mãe tinha morrido.. mas um dia ela reapareceu, e a irmã não queria que o menino soubesse da mãe, mas essa tinha lá seus direitos, e carregou o menino pra morar com ela, mas não aguentou o moleque , porque era comilão, e ainda por cima chorava demais.
  A mãe depois de um tempo veio devolver o filho, e arribou pra São Paulo!!!


    Bem... coloquei meu chapéuzinho branco, e um vestidinho quadriculado de vermelho e branco, umas chinelas, e fomos pro barranco... eu , Cristina e a Nita, ambas de saias floridas de chitão, uma rodilha na cabeça.. lá íamos nós.
   Esse dia era também um dia cheio de novidades, e fofocas...


   Ao chegarmos na beira do rio, uma cem lavadeiras já estavam por lá, tivemos que aguardar a fila andar - até porque o barranco não cabia mais ninguém: Estavam lá: Luiza de Bueno, dona Maroca , Helena , Tina , Lucinda , Valdelice ,e muitas outras anônimas trabalhadoras da limpeza da roupa.


   O sabão era feito de mamona e de coco, e o cloro pelo jeito já existia pois a brancura das roupas dos seus Coronéis era de dar inveja a qualquer doutor... além do anil que era certo ter. 


   Esse momento, apesar de ser duro, também era o momento das moças , senhoras e negrinhas trocarem receitas de todos os tipos, digo negrinhas porque a população baiana é 90% de negros, então era comum a gente chamar umas ou outras de preta, era também um apelido carinhoso, e além do mais , já não havia mais escravatura, portanto as donas de casa eram as próprias lavadeiras, em sua maioria... exceção àquelas em que o padrão de vida favorecia que tivesse empregadas, pois o hábito na maioria das vezes, era de se adotar meninas muito novinhas, e à medida que cresciam iam tomando seus lugares nos afazeres da casa, mas chamavam a mãe de mainha! igual aos filhos naturais.


   Minha madrinha dona Nina por exemplo, tinha dois filhos dela, e seis ou sete de cria!!!`Portanto tinha gente suficiente para as tarefas da casa, e ela trabalhava na Farmácia que herdara do pai , meu padrinho: Miroca, marido de Pombinha.


   Outro costume muito normal por aquelas bandas, era o uso de apelidos! Muitas vezes cada um bem feio longe dali...


    No rio, o sol era escaldante, e Cristina reclamava que ia ficar mais preta do que já era...e achava que era uma mentirada só dizerem que a princesa Izabel assinara a Lei da Abolição da escravidão, porque aquilo ali era a própria escravidão! Sua irmã ralhava com ela, mas não tinha jeito, ela ia falar até cansar que a escravidão na Bahia ainda existia!!


   Deixa Nita ela falar, minha mãe não disse que ela é rebelde!?
bobagem mandar calar a boca!


   E assim, aquelas duas e outras mocinhas da época, ficavam ali, naquela escravidão com certeza , esfregando, batendo, ensaboando a roupa dentro de bacias enormes, torcendo, com aquelas mãozinhas ainda pequenas, e já cheia de calos de tanto trabalhar, quaravam no capim, e tinham que tomar conta pra não trocarem as roupas, e trazer roupas piores as que tinham levado.e, enquanto as roupas das outras famílias, tinham vestidos, a nossa pelo menos as de minha mãe, eram na maioria calças compridas, pois ela seguia a linha do Rio de janeiro década de sessenta, e usava com suas blusas de mangas compridas dobradas tipo homem, e as calças compridas, o que fazia com que as mulheres a admirassem, e os homens criticassem, e/ou vice-versa.  


   Finda a tarefa depois de horas expostas ao sol voltávamos com as bacias de alumínio na cabeça, e uns meninos trazendo água nos potes amarrados aos burros para fazer a comida, pois a água do poço que nos abastecia era barrenta e saloba!....







Projeto: Memórias dos brasileiros






GERAÇÃO DE RENDA

Mulheres lavam roupa no Parque do Cocó

09.05.2010
Clique para Ampliar
MUITO TRABALHO: as lavadeiras têm de acordar muito cedo, carregar carrinho de roupa, passar o dia na labuta, sem ganhar muito por tudo isso. Elas querem mais valorização
JOSÉ LEOMAR
Apesar de existir uma estrutura montada no local só para que elas trabalhem, falta reconhecimento
Quem passa pelo cruzamento formado pelas avenidas Engenheiro Santana Júnior e Padre Antônio Tomás, na Capital, pode desfrutar da vista da bela paisagem do Parque Ecológico do rio Cocó. No entanto, poucos sabem que, ali, um grupo de mulheres utiliza o espaço para garantir o sustento de suas famílias, lavando roupas.

O lugar, repleto de árvores, pássaros, riachos e trilhas, além de receber estudantes, virou atrativo turístico. Pela manhã, é possível ver também dezenas de pessoas correndo ou fazendo uma caminhada. Mas, muito próximo a tudo isso, existem mulheres trabalhando. Muitas vezes, parecem ser invisíveis aos olhos de quem passa ali, entretanto, há 30 anos, elas lavam roupas no rio Cocó.

A rotina da lavadeira Maria do Socorro da Silva, 63 anos, começa às 5h da manhã. Ela acorda cedo para deixar o almoço pronto para a filha, enche o carrinho de mão com cerca de 50 quilos de roupas e segue caminhando cerca de uma hora do Conjunto São Vicente de Paula, mais conhecido como Comunidade das Quadras, até o Parque Ecológico do rio Cocó.

Esforço
Maria do Socorro nasceu no município de Sobral, região Norte do Estado, mas aos 20 anos de idade soube, por intermédio de amigas lavadeiras, que teria oportunidade de trabalho na Capital e veio morar em Fortaleza. "No início, eu lavava roupas no Parque Rio Branco, mas logo fomos impedidas. Então, no ano de 1979, viemos lavar no Rio Cocó ", lembra.

Ela conta que, no começo, o lugar era muito perigoso e sem estrutura. Mas, nos últimos anos, com o segurança da Companhia de Polícia Militar Ambiental (CPMA), o trabalho ficou mais fácil. Além disso, em 2006, diante de um abaixoassinado realizado pelas lavadeiras, o Governo do Estado construiu uma lavanderia toda equipada para que elas pudessem trabalhar com conforto.

Segundo a assessoria de imprensa da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace), essa foi também uma maneira de evitar a poluição do Rio Cocó, pelo sabão utilizado por elas. Mas, apesar da tranquilidade do lugar, do vento fresco e do canto dos pássaros, Maria do Socorro diz que não é fácil a vida de lavadeira, pois faltam reconhecimentos social e financeiro. Ela ressalta que, muitas vezes, fica no prejuízo. "Se não fosse a minha aposentadoria, morreria de fome, pois minhas patroas só me pagam R$ 30,00 por dois dias inteiros de trabalho", desabafa.





http://pitacodoleo.com.br/blog/4890/as-lavadeiras-do-sao-francisco/



 
http://www.portaldoenvelhecimento.org.br/artigos/z995.htm






 



                       Foto compartilhada de Fred Santos.


                                  Tô pasma: Já vem outro final de semana.. bjusss....


A alma do Brasil - é o forró!! Renata Perón - 


Praça da República.. São Paulo. Terra de muitos costumes...e pertence a todo mundo...


" Pra surdo ouvir....pra cego ver...esse xote faz milagre acontecer"  


Bom final de semana...E haja inspiração Senhor...bjusss!









segunda-feira, 18 de junho de 2012

O perdão... é o melhor de todos os remédios.




      O São Francisco também se enfurecia com os abusos cometidos à natureza naquelas cidades em que ele passava: Ibotirama , Caitité , Remanso , Casa Nova, Xique-Xique, Paratinga...


     De tempos em tempos as suas águas transbordavam , deixando os moradores ribeirinhas sem casa... e, até a casa do meu avô que era de certa forma afastada das margens , fora invadida.






   Mas se acham que meu avô se aborrecia com o rio : Nunca!!


    Aliás aquele homem , possuía dentro de si uma filosofia que depois de muitos anos , ainda não conheci ninguém daquele jeito, para cada situação ele tinha uma saída , uma explicação , um dizer apropriado.


    Em uma de suas viagens pelo sertão a dentro , no lombo do jumento, acompanhando algum padre da época, eles pararam numa fazenda para uma pausa, fugindo do sol quente próprio do sertão nordestino.


    De repente, viram um homem preparando seus instrumentos de trabalho , pois o mesmo era vagueiro , e perceberam que havia um canivete, e um revólver, que não deveria fazer parte do material comum, pensaram que poderia ser para uso próprio, pois naquelas terras haviam frutos pelo meio do caminho, e nenhum viajante ficara de todo sem alimento por aquelas pastagens, e alguns animais ferozes... mas pela fisionomia do homem , meu avô com sua psicologia, comentou baixinho com o Padre: 


    - Salve aquela alma!


    O Padre Mario (era esse) - não entendeu a proposta e respondeu deixe ele que já foi salvo pelo sangue!


    Não!!... ele pode estar salvo , mas vai cometer um ato que irá jogá-lo de vez no inferno!!


    Como padres sempre querem salvar almas, o mesmo levantou-se e, dirigindo-se ao rapaz, que de perto era bem mais moço do que parecia - cumprimentou-o:


    - Bom dia amigo.


    - Nada de bom tem nesse dia seu padre.


    - E, porque não haveria de ter ?


    - Nada não! Tô apressado... dizendo isso subiu em seu cavalo e já ia dando a partida quando o homem de batina entrou na frente do bicho. O que obrigou o outro a puxar o arreio com força para parar o animal , e, não atropelar o vigário.


   Desceu enfurescido, e gritou : 


   - Você é louco? Eu poderia ter te machucado!?

   - Poderia sim, mas ia te fazer menos mau, do que a sua ação quando saísse daqui!


   Ao que o mesmo retrucou:


   - Não é da sua conta, o que eu vou fazer quando sair pela aquela estrada a fora. A vida é minha!faço dela o que bem entender...


   -  Nem sempre amigo... tudo o que se faz aqui na terra vai repercutir lá no céu.


   Não me venha com balela e conversa frouxa seu vigário. Tenho umas contas a acertar com um sujeito, uma dívida que já não era sem tempo.


   Nessa hora meu avô, interveio:


- Se a vida dele não vale um vintém furado pra você, ao certo pra família dele e pra mãe valem muito.


   Nisso o homem se sentou, e lembrou-se de quando os dois eram pequenos, e que sua mãe morreu de parto, a mãe do amigo , o trouxe para casa e preparou depois do velório, um café forte e sortido de todas as delícias que ele amava e colocando na mesa , disse: Sempre que você quiser venha aqui para se alimentar com a gente, minha família é numerosa , mas haverá sempre um lugar à mesa pra você...


   Meu filho fala muito de como vocês são companheiros de todas as horas... que o ensinou a laçar o boi , embora ainda novos... de como se tornarão um peão de elite - creio que serão os melhores da região!
  E praticamente o adotou em sua família, pois o pai deste também morreu de cirrose e abandono depois da morte da esposa, os filhos foram espalhados aqui e ali, indo morar na casa das madrinhas, como era o costume da terra.


   E, inconformado com as lembranças de infância - sentou e chorou.


   Depois de longo tempo resolveu contar-lhes a história do que o revoltara contra seu amigo; tratava-se de sua ex-namorada Roselita, que depois de 2 anos de namoro foi se apaixonar pelo amigo, após uma briga que tiveram.. e ele a agrediu, e quem chegou para socorrê-la foi justamente o amigo, pois, quase havia quebrado o braço da namorada...


   À pártir dali - ela logicamente não confiou mais nele, e começou depois de uns meses a namorar o amigo...
   Até porque, os dois já estavam brigados, e não trabalhavam mais como antes, embora fizessem parte da mesma fazenda, e eram os melhores vaqueiros das redondezas, seu patrão - o capataz fez com que eles se mantivessem como parceiros no serviço, mesmo não se falando fora da atividade.


  Nessa manhã, soubera por terceiros, que a moça engravidara do amigo , e estava de casamento já marcado pra próxima semana...e o Tião (esse era seu nome) não se conformara... e, morto de ciúmes,  resolveu que mataria o moço... pois não aguentava mais ver a felicidade dos dois.


  Nesse momento meu avô - olhou para o moço, e para o padre... e após num gesto fizeram um pedido ao moço:


  Perdoe! O perdão é a única forma de nos aproximarmos do humano.
  Só ele nos aproxima de Cristo, e lembrou-lhe das últimas palavras do Salvador , na cruz: Pai perdoai essas pessoas , pois não sabem o que fazem.


   Após perceberem que este havia se regenerado,prometendo que não mais mataria o amigo...e perdoaria o amigo, o acompanharam até a sede da fazenda - o que foram muito bem recebidos, e ainda puderam ver os amigos se abraçando , e trocando as palavras necessários a quem perdoa. e , esquece o mau que um tenha por acaso feito ao outro.


   Meu avô voltara nesse dia para casa com a satisfação de quem realmente salvara alguém.. e feliz dizia:
 
   Minha intuição mais uma vez livrou um homem da morte, e um filho de nascer sem pai!


   Uma semana bela e radiante....cheia de Paz e do perdão Maior!!!


                      besos...


Postado por: baruchess@gmail.com






                                                   Caimmy e eu.... in Rio.

 



            Enquanto houver sol ... ainda haverá: a Esperança...

 





 




domingo, 17 de junho de 2012


    

 Os autores consagrados nos inspira;  hoje me veio às mãos um livro chamado: AS CEM MELHORES CRÔNICAS BRASILEIRAS, Objetiva, Rio de Janeiro,2005 (www.objetiva.com.br ); uma coletânea de crônicas de vários autores, entre eles:  Rubens Braga, Fernando Veríssimo, Carlos Drummond de AndradeLygia Fagundes , Rubens Braga , entre outros...
Encontrei essa graça de texto de Elsie Lessa, que fala exatamente do modo como eu falo.
Por isso, pedindo permissão à autora,  transcrevo-a para essas páginas...   

                 “Gente”
     De repente, escolhemos a vida de alguém. Era essa que a gente queria. Naquela casa grande e branca, na rua quieta, na cidade pequena. Sim, estamos trocando tudo. Era ela que a gente queria ser, aquela serenidade atrás dos olhos claros, aquela bondade que se estende aos bichos e às coisas, tão simplesmente. E aquela mansa alegria de viver, aquele risonho voto de confiança na vida, aquela promissória em branco contra o futuro, descontada cada dia , miudamente, a plantar flores, a brunir a casa, a aconchegar os bichos.
     Era naquele porto que a gente gostaria de colher as velas, trocar a ansiedade, a inquietação, a angústia latente e sem remédio, o medo múltiplo e cósmico, todas as interrogações, por aquela paz. Acordar de manhã, depois de dormir de noite, achando que vale a pena, que paga, que compensa botar dois pés entusiasmados no chão. Abrir as bandeiras das venezianas para que o sol entre, com o gesto de quem abre o coração. Qual é o hormônio, e destilado por que glândula, que dá a uma mulher o gosto de engomar, tão alvamente, a sua toalha bordada para a bandeja do café? Há uma batalha bem ganha, cotidianamente renovada, contra o pó e a traça e a ferrugem que tudo consomem. Dentro dos muros da sua cidadela, as flores viçam, a poeira foge, nada vence o alvo imaculado das cortinas, os cães vadios acham lar e dono.
    E é esse um modo singelo mais difícel de ter fé. Cada bibelô tem uma história, diante de cada retrato há um vaso de flor, para cada bicho há um gesto de carinho.
    “Mulher virtuosa, quem a achará? Porque o seu valor excede ao de muitos rubis” – cansei eu de ouvir, na escola dominical, e olho em torno a indagar quantos e que orientais rubis pagarão aquele miúde, enternecido carinho, que pôs flores nos vasos e cera no chão e transparência nos vidros e ouro líquido no chá. Oh, a perdida paz fazendeira deste chá no meio da tarde, que as mulheres do meu tempo já não sabem o que seja, misturado a este morno cheiro de bolo e torradas que vem da cozinha! Somos uma geração que come de pé, que trocou os doces ritos que cercavam o nobre ato de alimentar-se, por uma apressada ingestão de calorias. Já não comemos, abastecemo-nos como um veículo, como um automóvel encostado à sua bomba.     
     Trocamos as velhas salas de jantar por mesas de abas, que se improvisam às pressas, de um consolo exíguo encostado a uma parede. E o que sabe de um lar uma criança que não foi chamada, na doçura da tarde, do fundo de um quintal para interromper as correrias, lavar mal-e-mal as mãos e vir sentar-se à mesa posta para o lanche , com mansas senhoras gordas que vieram visitar a mamãe? É a hora dos quitutes, das ingênuas vaidades doceiras, da exibição das velhas receitas, copiadas em letra bonita de um caderno ornado de cromos.
    Somos uma geração que perdeu o privilégio de não fazer nada, aquele doce não-fazer-nada que é a mansa hora do repouso, o embalo da rede na frescura de uma varanda, a quietude ensolarada de um pomar em que o sono da tarde nos pegou de repente, a hora de armar brinquedos para as crianças, das visitas que chegam sem se fazer anunciar, pois na certa estaremos em casa para uma conversa despreocupada e sem objetivo. Somos uma geração de mulheres que saem demais de casa, para trabalhar ou para se divertir, e perde metade da vida indo ou vindo para não se sabe onde, fazendo fila para comprar, tomar condução ou assistir a um cinema. Perdemos o abençoado tempo, de perder tempo, de não fazer nada, a única hora em que a gente se sente viver. O mais é a canseira e aflição de espírito.
   E foi tudo isso que reencontrei, de repente, na casa grande e branca da rua quieta.
                                                                                                                   Elsie Lessa/Págs 155 e 156.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Era uma vez... o Amor...e ao seu lado, sua irmã : A Amizade...

Eu apenas queria que você soubesse...

Luiz Carlos Prestes e Olga Prestes ... calabouços ...


Gonzaguinha ... John Lennon... Cora Coralina...


Professor Manuel Miguéis... Saint Exupery e seu Pequeno Príncipe.


Aqueles que passam por nós não vão sós. Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós. Exupéry



           A década de 80, na minha vida. 


Foram os anos mais bonitos e significativos que vivi...a felicidade e a no que ainda estaria por vir determinava o que seria melhor para se fazer...


As idéias e os ideais, saltitavam na mente... me recordo que foi o período em que mais joguei xadrez, tendo alcançado meu melhor rating (sei que hoje me consideram uma simples capivara), e não tenho vergonha nenhuma nisso... mas já tive dias de glórias e fama...nos tableros...quem duvida pergunta ao meu amigo caríssimo professor Manuel Miguéis..


Bem, voltando aos anos dourados do início da juventude, a perspectiva de entrar numa Faculdade era legitimamente clara, em mim e no meu grupo!!! 


Observávamos como nossos professores (alguns ainda acadêmicos)  se expressavam, e falavam da vida dentro de uma Universidade


Os descobrimentos científicos , tecnológicos e matemáticos...a participação na UNE - União Nacional dos Estudantes, e na vida política do país... o enfrentamento das mais variadas situações de risco...


Paralelamente líamos Luiz Carlos Prestes e sua biografia , Olga Prestes ... as histórias dos calabouços e das pessoas desaparecidas por conta de um sistema que infringia mandos nos jovens. escutavámos as aulas de professor Herodoto Barbeiro, transmitidas tão bem pelo nosso professor de História Antonio Jorge....recém formado pela Universidade Rural... aliás as faculdades Federais eram nosso sonho de consumo...abríamos mão de passeios , bailinhos.... praias, finais de semana prolongado , namoros etc... para enchermos as salas de aula aos domingos, naqueles afamados projetos: Falcão e outros que nem me lembro mais os nomes que davam...e, assistir uma aula de Física com Dilson Araujo; Química professor Ivan ; Matemática Fernandão..., História com Antonio Jorge ou Português com Sidney Silva. 


Aquilo era nosso mundo - nossa chance de vitórias! de realizações.


Rita era minha amiga e companheira inseparável.


Também ali no Cursinho EME e, no Curso Normal que fazíamos paralelamente. 


Um dia assistíamos uma aula de Português com um professor bonitão e super simpático detentor de uma nobreza para transmitir seus conhecimentos da Língua portuguesa... de uma forma que ninguém deixava de aprender um conceito de Metonímia , Metáfora ou Pleonasmo.. enfim ali na terceira fileira o encaravamos e pensamentos vagos saltitavam através dos olhares..


Quando de repente, olhei para minha amiga ao meu lado , e suas mãos desenhava coraçõezinhos aos pares em seus alfarrapos cadernos descuidados... 


           Rita


Pronunciei-me baixinho porém energicamente: O que significa isso minha amiga?!


Você não tá prestando atenção a nada que o Sidney está falando .. quando percebi que nenhuma anotação havia nas folhas...  


E ela com olhar e sorriso de uma adolescente apaixonada me disse: Que culpa eu tenho se o amo?!


Nada do que ele fala eu capto - pois só ele me interessa não suas palavras !


E, agora a sua expressão era de medo ... e de dor... as mãos se tornaram trêmulas! E seu aspecto era o de quem sentira:
Uma dor que não era real .... nem física, mas, que vinha da alma! portanto real se tornara.


Uma dor que dilacerava seu peito ....e a fazia arder sua cútis...


A dor de amar ...a dor do não ter ... a dor de ser , e de querer ...e de não poder...e de não ter - de sentimentos soltos, destacado solitário/e solidão.


Olhei para a minha amiga, e a fiz sair da sala , pois de seus olhos brotavam lágrimas.


O professor nem percebeu... eram tantos alunos e perguntas e textos ...e gestos .... mímicas .... risos entrecortados por preocupações... de transmitir conhecimentos.


Porque naquela época nossos professores vibravam com a nossa vitória...faziam mural com o nome dos aprovados ...colocavam em jornais de bairro. Jornal de Educação etc... 
Traziam convidados ex-alunos para falarem da experiência de entrar numa Universidade... no pós Golpe Militar.


Ele apenas nos olhou e disse: Estarei dando essa mesma aula mais tarde - caso não possam assistir toda ela agora.


E foi o que aconteceu- desci as escadas com a minha amiga...que agora já resignada ligava para seu noivo.


Essa amiga, vivia em mundos paralelos. 


Era amada e amava outro.. tivera um caso fortíssimo com outro ex-professor o Robson, e tudo havia dado em cinzas... acho que transferiu sem querer a admiração para esse agora...sem perceber... triste sina.


Após falar do que a afligia... e, depois de tomarmos o terceiro ou quarto chopp, e, darmos umas tragadas de um cigarro de alguém, que nos ofereceu naquele galeto - já conseguiamos relaxar.


Acho que quem nos deu um cigarro era um amigo do Clube de Xadrez (se não me engano), mas esse fato não é relevante agora... 


Comemos um galeto ... e tomamos alguns chopps... contavamos antes o dinheiro de ambas para não passarmos vergonha de ficarmos sem dinheiro das passagens de volta à casa....


É impressionante como um cigarro e um chopp em certos momentos desfaz neuras e deixa-nos serenas!!!


Enfim... ainda pudemos voltar para o Cursinho lúcidas e assistimos a aula do professor novamente....


E acho até, que, apreendemos muito mais agora nesse segundo momento....


Tudo isso, creio serve, apenas para hoje deixar claro - que a amizade é indissolúvel...incomensurável...inimaginável ante a realidade que se abre a todo momento...aos pedidos de amar..e de ser amados...ante mesmo às preces de Cáritas e de São Francisco de Assis...


Quanto de verdade tem o poder de nos transformar...um amigo!!!


De nos fazer alçar voo ... se lançar ... velejar...


Trazer à tona a realidade de que sozinhos , não podemos sermos gente...


De transceder alhures ... algures ...tempo...lugares .... ruas ... e de nos tornar melhores do que fomos antes...


Como falou tão bem expressado Saint Exupéry:







"As pessoas têm estrelas que não são as mesmas. Para uns, que viajam, as estrelas são guias. Para outros, elas não passam de pequenas luzes. Para outros, os sábios, são problemas. Para o meu negociante, eram ouro. Mas todas essas estrelas se calam. Tu porém, terás estrelas como ninguém... Quero dizer: quando olhares o céu de noite, (porque habitarei uma delas e estarei rindo), então será como se todas as estrelas te rissem! E tu terás estrelas que sabem sorrir! Assim, tu te sentirás contente por me teres conhecido. Tu serás sempre meu amigo (basta olhar para o céu e estarei lá). Terás vontade de rir comigo. E abrirá, às vezes, a janela à toa, por gosto... e teus amigos ficarão espantados de ouvir-te rir olhando o céu. Sim, as estrelas, elas sempre me fazem rir!"




"Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, pois cada pessoa é única
e nenhuma substitui outra.
Cada um que passa em nossa vida,
passa sozinho, mas não vai só
nem nos deixa sós.
Leva um pouco de nós mesmos,
deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito,
mas há os que não levam nada.
Essa é a maior responsabilidade de nossa vida,
e a prova de que duas almas
não se encontram ao acaso. "


Quem encontrou uma amigo encontrou um tesouro.


E nesse tempo embalavamos nossos encontros com Gonzaguinha e John Lennon.  


Com Chopp gelado ... e algum cigarro comprado no varejo ou furtivamente adquirido do bolso de um casaco ...do tio ...primo ...irmão e da mãe ou do pai...


Mantinhamos uma Fé Viva


Em que dias melhores estariam por vir. 
Isso era tão certo quanto o sol que iria nascer dia seguinte...caso não viesse a chuva!





Mas acima de tudo acreditavamos também no amor e na amizade - esses dois personagens que povoavam nossos sonhos.... nossas lembranças ....nossa juventude e esperanças no futuro.



Um dia ele (nosso professor de Português) nos disse mais ou menos algo assim a respeito do Amor e da Amizade.


A Amizade e o Amor são irmãos. 
Com algumas diferenças individuais :


Ele , o Amor.... cobra . A Amizade aceita o que lhe vier e for dado.


Ele , o Amor.... reclama ....quando chegamos atrasados num encontro. 


A Amizade nos abraça à nossa chegada e diz: que bom que você veio! 
E ainda: estava ficando preocupada que estivesses em apuros, ou ficado doente....e, que não pudesses vir!


Ele , o Amor é ciumento ... e, se conversamos com outra pessoa mais tempo : Logo acha que o estavamos traindo!


A Amizade : Não; quando sabe que estavamos conversando com outro amigo... logo quer saber como ele está(?) e, porque não veio junto!?


Ele , o Amor quer nos modificar .... criticar-nos ... moldar-nos ao seu jeito e feitio!


Ela : A Amizade sempre nos aceitou da forma como nos conheceu, e , se extrapolamos , ela nos puxa pelo braço num cantinho e diz: Cuidado ... mostre-se menos ...certas pessoas não vão te entender como eu te entendo. 
Observe antes de se mostrar e cair a fundo nesse questão/relacionamento!!!


Ele o Amor , te quer só! 
Para ficarem a sós... isoladamente ... você e ele!
Te excluir de programas com mais de 4 pessoas... ir para lugares fechados...


A Amizade quer ajuntar gente... rir ..dançar .... brincar .... passear no campo... fazer pique-niques... luaus...


Ele , o Amor quer enclausura-lo... e morre de ciúmes quando alguém te elogia , te cumprimenta mais carinhosamente.


Ela , a Amizade diz assim : Como eu gosto desse cara...só porque ele gosta de você!


E, assim era a visão dele , nosso querido professor. Ensinou-nos a apreciar a poesia como se aprecia um bom vinho: E entre seus autores preferidos estavam: Cora Coralina ... a divina senhora das letras, além de Cecília Meirelles, e Clarice Lispector.






Nosso professor também nos ensinou um pouco sobre o amor lido e escrito...


Embora soubesse que nossos corações eram ardentes pelo outro tipo de amor..


                           Besosss... no coração...


Pudesse eu abraçaria a lua... trazia para dentro de minha casa.. e a colocava bem na minha cama.


Trocariamos segredinhos e confissões...diria-lhe do amor que tive ... dos que quis ter ... dos que morreram antes mesmo de germinarem.


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                             Somente nos duas : A lua e eu...


postado por baruchess@gmail.com






Obrigada pela visitinha... Deixe um sorriso na saída....e uma semana plena e abençoada pra você e, todos os seus ...



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Seja feliz... mesmo sabendo que a sua felicidade é o transtorno e o incomodo de muito gente!!!


Envie-lhe bons fluídos etéreos ainda assim..... Shallom!

sábado, 9 de junho de 2012

Saudosismo não!! Mas que tem coisas que antigamente eram melhores...têm....



    Já falei várias passagens dessa minha jornada, in my life!!!..


    Mas ainda faltam tantas outras...Mas como não divulgar que o mundo girou numa velocidade astronômica neste século anterior, e que rapidamente fomos descartando objetos obsoletos, numa velocidade que às vezes nem sequer conseguimos acompanhar... mas será que as coisas que eram boas, merecem também serem descartadas?sequer relembradas??


    De repente lembrei-me de um tempo que, embora eu ainda fosse Alicinha... me recordo bem:


   Por exemplo minha tia Rosa passando roupa com ferro a brasa... as camisas de meu avô eram de puro linho de algodão e muito impecavelmente bem passadas que ele mais parecia um doutor, diziam as amigas quando queriam elogiá-lo.... ao que o velho ria, satisfeito e olhavá-as com cara de lobo mau, que pensamentos passavam-lhe pela cabeça? Imagino alguns, só sabemos que às vezes ele quebrava lá pelo beco de Nininho, e após olhar para trás e para os lados desaparecia numa daquelas portinholas estreitas! vindo a aparecer em casa lá pelas altas madrugadas, fazendo ranger os batentes das portas...
    Ao que minha tia Rosa ainda acordada até aquelas horas dava-lhe uma tossida , como quem queria avisar que sabia que estava chegando...
    Se ela estivesse viva hoje, de certo não teria muitas saudade desse tempo... aliás me lembro que ela chegou a conhecer ferros modernos: Walitta, Black deck... ,  mas quando teve um ferro moderno , não precisava mais passar roupas!?


   Lembro-me, ainda que não existiam alimentos já semi prontos... pré-cozidos... descascados, para quando se chegasse em casa os colocassem no forno(micro-ondas) para preparar em meia hora... depois de um dia de trabalho exaustivo.


  As mulheres (quase a minoria)  que trabalhavam fora para ajudarem no orçamento, e, as que não precisavam diziam graças a Deus não preciso levantar cedo e tomar trem lotado, para trazer o alimento pros meus filhos... e, as que trabalhavam por opção, eram professoras e davam aulas em casa , ou em colégios perto de casa...
Outras eram cabeleireiras, e trabalhavam para elas mesmas.


   As ditas mulheres dessa época, sabiam: 
Bordar , tricotar , costurar, ornamentar a casa , fazer suas cortinas e lençois, fazer colchas de retalhos... patchwork,  seus vestidos...e as roupas para seus filhos, e camisas para seus maridos.


   As marcas de Sabão em pó, deveriam ser apenas duas ou três!éramos menos consumistas daí então...


   E as roupas brancas iam quarar na grama...e eram colocadas no anil em pedra, o que dava uma coloração azulada...mas alvíssima..


   E nos armários para evitar mofo : Naftalina!


   A margarina não existia: Até os mais pobres comiam manteiga, e leite do bom, que se comprava na porta e, vinha direto do produtor ao consumidor.


   Agro-tóxicos não eram consumidos, e os legumes e verduras eram orgânicos (e a gente nem sabia disso)... as galinhas não recebiam hormônios e tinham uma carne mais durinha, e saborosa( galinha de quintal), e os ovos amarelinhos e deliciosos...


   Não havia freezer, e a carne era consumida no dia... 


   Isso não quero me lembrar porque morava não muito longe de um abatedouro e ouvia o sofrimento dos animais na madrugada...
tapava os ouvidos para não ouvir os apelos de Socorro
dos animais a serem mortos. 


   Por isso tento não comer mais animais mortos...e reduzi o consumo desses alimentos ditos proteicos...


   O café era torrado e moído na hora, e tinha um sabor adocicado.
   Comíamos sem medo, alimentos gordurosos... sem neuras!!
   Mas apesar disso , não me lembro de ouvir dizer que alguém tivesse morrido de diabetes ou infarto agudo do miocárdio! 
   Morria-se de velhice, e o Triglicerídio era doença de ilustres abastados...se é que já existia com esse nome.


   Meu padrinho era o farmacêutico da cidade, e receitava Benzetacyl , para os rapazes após sua volúpias noturnas...


   Haviam doenças de poetas como a tuberculose...cirrose... a hepatite , a Tifo, e a febre amarela... que ainda hoje estão na moda.


   O pão tinha menos farinha e não continha brometo, o que o fazia mais saboroso,  e não inchava dentro da gente.


   O queijo era feito em casa mesmo... e de merenda pra escola se levava-se pão com mortadela... ou pão com goiabada, ou com carne...e Kisuco ou suco de groselha... ou mais recente Mirabel...
   
   Não se conhecia ervilha em lata , atum em lata, sardinha em lata ... extrato de tomate... catchup era palavra pra inglês ver... café solúvel só em filme... 
   Caviar ainda hoje nunca vi , não conheço só ouço falar...


   Tinhamos vaselina para os rachados dos pés, e água de rosas era o perfume mais utilizado por todas, além da famosa pomada Minâncora ... dormia-se de touca... e as mulheres usavam rolinhos nos cabelos!!!e que efeito isso dava nas madeixas.


   Podia-se brincar meninos com meninas sem depois dizermos que eramos molestadas, ou sofremos bullyng!


   Os homens perguntavam: Qual a sua graça(?), e abriam a porta dos carros para descermos: Abraços ao Alberto Pirro - que até bem pouco tempo, ainda abria a porta de seu carro para as mulheres: Um gentlemann.


   Os The Fevers cantavam Whisk a gogo... e ninguém vive sem amor embala os bailinhos da juventude...


   E a comida de domingo? era rosbife com batatas coradas... 


   O lanche da tarde tinha cuscus de milho quentinho... e broa de milho com leite de cabra ou jumenta... tudo junto e misturado.







   Tomavamos Crusch , Grapetti e Tubaína. Além de maravilhosos Sucos de frutas exóticas como siriguela, graviola e tamarindo, entre outras...


  Os visitantes iam em casa sem avisar mesmo... e nunca davam com nariz na porta.


  Quando conheci uma tia alemã, e via minha mãe, marcando uma visita a casa dela , pro almoço com um mês de antecedência , achava super esquisito, e minha mãe dizia: Gente rica é assim mesmo, ainda mais europeus!!assim que é o certo!


  Eram poucas pessoas que tinham telefone em casa... e se escrevia cartas regularmente para falarmos com nossos parentes de longe...


  Fazíamos festinhas nos finais de semana cada semana na casa de 
um ou de outro, e as meninas levavam salgadinhos e os meninos levavam refrigerantes... ou outra bebida...mas, tinha que ser escondido da mãe...


   Havia violência , mas não entre torcidas e os líderes de grupos no máximo deixavam olho roxo... no adversário.


   Os estudantes iam pras ruas...e teve um tal de Golpe Militar que foi um terror: Ai teve sim...


   Engarrafamentos e rushs eram mínimos, e acho que até a poluição era mais moderada...


  Eh tempo bom... 


  Quando ouvia os mais velhos relatarem de suas saudades...
achamos chatíssimo:


   Além disso havia curiosidades...como:


   Tinha essa frase : Rainha do Lar...


   Hoje é que compreendo como deveria ser bom aqueles tempos. Vez por outra ouvía-se das titias frases assim:


Vejam bem a alegria e o brilho nos olhos da esposa obediente. Uma verdadeira rainha do lar.


  E as menininhas eram realmente menininhas , e não usavam roupas de gente adulta ou vestidos e saias sensuais de jeans etc...




Menina com roupa de menininha... que a mãe fazia.




                      Toda cama tinha uma colcha de retalhos tipo essa.


                             
  Modelitos que faziam a cabeça da mulherada... Clássico de viver...


  Esses eram os mimos da temporada...e observem ainda estão em alta... 




  Esse refrigerante tinha um sabor de uva - delicioso... e único!! o Crush - um sabor de laranja sem nada igual.
Além das receitinhas naturais que aprendíamos com as avós e, eram passadas às amigas , como um talismã precioso.


RECEITAS NATURAIS:


1- Pasta de argila verde dissolvida em chá de calêndula. Fazer compressa,1 vez ao dia.

2 - Pepino - cortar 1 pepino médio em rodelas e colocar num pilão, para esmagar até obter um creme. Depois juntar a 2 colheres de açúcar, coar e passar no rosto antes de dormir no local das manchas e lavar o rosto pela manhã.

3 - MARCAS DE ESPINHAS / RUGAS NO ROSTO:* Fazer uma mistura de argila, suco de cenoura, mel e confrei e aplicar uma camada desta pasta de aproximadamente 1 cm no rosto por uns 40 minutos.

 Para espinha não deixar marca no rosto:Pegue um pouco de pomada "Minâncora" e dê uma ligeira aquecida, jogando por sobre a espinha com um pouco de sal refinado.Aplique a pomada sobre a espinha e só retire quando a pele afetada tiver lhe consumido uma boa parte.Depois de algumas aplicações, a espinha sumirá e não deixará marcas.

5 - Para acabar com espinha:Pegue três pêssegos já maduros e descasque-os de maneira que as tiras de casca sejam bem finas.Depois coloque as cascas para ferver em água filtrada, de forma que as cascas desmanchem.Coloque as cascas num prato e adicione uma colher bem cheia de mel puro. Deixe passar uns quinze minutos e lave o rosto com a água fria e sabão neutro.

6 - Simpatia para retirar manchas de pele:Passe sobre as manchas, urina de um recém-nascido ou a sua própria urina. Pela manhã você deixa o primeiro jato sair e depois pegue para passar no rosto. Não fica nenhum cheiro.







A Pomada Minancora® é um medicamento à base de cânfora, óxido de zinco e cloreto de benzalcônio, substâncias com propriedades: anti-séptica; secante; antipruríginosa e suavemente analgésica que, juntas, conferem à pomada um grande poder de atuação contra espinhas e frieiras (disidroses), além de ser desodorante. A Pomada Minancora® ainda previne o odor desagradável das axilas e dos pés, e evita o ressecamento da pele.


Postado por baruchess@gmail.com

E, assim a vida decorria sem stress , ou depressão - oque é tão comum nos dias de hoje. As mulheres não precisavam até então irem para a rua a rasgar sutiãs, e dizerem-se iguais aos homens. Elas não queriam ser eles... porque isso significaria como agora, ter as mesmas obrigações , e menos regalias...Ah esse tempo... mesmo sem ter internet era muito bom!!!com certeza, basta perguntar as suas avós...   
                Besosss


  
  





  

terça-feira, 5 de junho de 2012

Amigas.... 18 anos de ausência... fatos narrados.... sem explicação!




         


O tempo que passa é uma preciosidade: Nunca se repetirá!


Os amigos que fazemos e conquistamos são jóias raras, e jamais haverão iguais... podemos conhecer outros - com novas manias ... defeitos e qualidades.... pontos de vista. Quiçá mais inteligentes, sem dúvida. Porque são seres humanos. E seres humanos brilham! 


E isso já resulta numa afinidade. 


Estamos todos dentro de uma mesma esfera! 


Respiramos oxigênio, somos susceptíveis às emoções emanadas de nosso id...ego, super - ego


Sentimos prazeres .. alegrias ... afetos e desafetos. 


Como disse tão maravilhosamente Roberto Carlos "... Se chorei ou se sorri... o importante é que emoções eu vivi "...


Naquele tempo - do começo da mocidade - em que nos descobríamos como pessoas e, éramos povoados por sonhos e esperanças, curtíamos a vida de uma maneira singela e despretenciosa, era como se o Universo sempre conspirasse a nosso favor. 


E, revendo histórias isso era real. 
Conspirava com certeza: O Universo cabia dentro de nossas mãos!!!e pairava acima de nós, muito próximo e íntimo!


A intuição nos chegava de uma forma mui transparente e única.


Um dia, a Dorinha me disse: Filha. Não desperdice seus momentos viva-os de uma maneira intensa, porque os anos passam e nos arrastam com ele, sem que possamos fazer algo que lhe seja contrário.


Entendi pouco essa frase: Mas ousei a perguntar o porque daquela conversa saída assim do nada, e, tão fora de propósito naquele instante(?!).


E, ela com a mesma calmaria de antes - me disse - olhando-me com um olhar de quem tivesse vivido todo o tempo do mundo em pouco mais de 55 anos: 
Não se espante com o que eu vou falar - mas meus dias de vida estão chegando ao fim!


Eu estava sentada nesse momento - porque se estivesse em pé receberia um choque de alguns ampéres e, cairia no chão!!
encarei-a por alguns segundos, e disse-lhe:


Por favor não fale isso! 
E batendo na madeira como é nosso costume sempre que uma situação desagradável nos afronta.


Nesse minuto percebi a mudança de sua face.... e vi que suas filhas estavam por perto, e, já haviam sido avisadas também.


Sentamo-nos num círculo e nos pusemos a orar apenas: Evocando as forças espirituais, e pedindo piedade Senhor.


Não sei a quem pedíamos clamor : Mas foi o clamor aos céus mais sincero e cheio de fé que já sentira até então, misturados com as lágrimas que insistiam em descer de nossos olhos.


Deve ter demorado aquele transe uma hora mais ou menos.


Quando ela fez um sinal que abrissémos um vinho do melhor que tivesse por lá. 


Levantamo-nos e nos abraçamos as quatro. 


Quando a campainha soou , e era a vizinha Eugenia.


Também com um aspecto de quem não queria acreditar no que já sabia.


Proferiu algumas palavras como quem expulsa o mau!!. 


Mas não havia o mal ainda... apenas intuições, ou avisos. 


Não sabiamos ao certo porque (ela) a Dorinha, recebia as mensagens antes da coisas acontecerem, e nesse caso, não queríamos ouvir tão fato. 


Mas, era muito difícel creio eu, que ela segurasse aquilo sózinha , como também seria egoísmo nosso não compartilhar do fato, com quem sempre nos deu apoio em todas as ocasiões. de repente foram chegando mais amigos... acho que vinham sem serem chamado, mas eram bem recepcionados por todos...


Era dia de jogo da seleção do Brasil, e ela tinha uma televisão Philllips 29 pol. com uma imagem excelente... que os amigos gostavam de ir pra lá, a fim de ver os jogos da Copa do Mundo.


Por uma questão de ética , minha amiga Rita chamou-me num canto, e pediu que não comentasse com mais ninguém da conversa que havíamos tido. 


Claro!! prontamente atendi-lhe o pedido.


Aquela minha amiga - era a mais sensata do grupo, e madura também.

Passava uma aura transparente, e sua opinião era sempre acatada por nós, pela sua serenidade e discernimento - que em tudo fazia lembrar-nos a mãe.


Foi mais um dia normal, depois....aquela tarde seria inesquecível, como fora outras tantas naquele espaço! Uma tarde agradável. 


Assamos pães e bolos... abrimos bebidas refrigerantes, estouramos pipoca e saboreamos uma canjica deliciosa que a mãe havia preparado, pois, era mês de junho, e o costume em nossas casas nessa ocasião  era ter algo apetitoso para servir às visitas e amigos.


Naquele dia eu não voltei para minha casa, e a noite foi de suposições e conversas sobre o futuro. 


A Dora tomou seus comprimidos lá por volta das 23 horas, e retirou-se para seu quarto , junto com o companheiro.


Ela estava separado do primeiro marido, e nós não gostavamos desse segundo. Mas respeitávamos seu gosto.


Rita: Eu não gosto desse sujeito, e você?


Detesto !!!


Algumas pessoas se colocam no caminho das outras, e muda tudo.


Umas para o bem... outras apenas mudam. (isso é uma questão talvez meio espiritual) propícia para outra ocasião.


Só sei que depois de 15 dias daquela data... nossa amiga era chamada para outro plano astral, e migrava para o além!!! vítima de um acidente.


Ainda consegui ir ao CTI- e vê-la bem ruim.. falando baixinho, e pedindo que nunca misturasse bebida com calmantes!


Já se passaram desse fato: 18 anos... e nesse mês voltamos a pedir Clamor do céu ... e Paz!!à pessoa que ela representava, para cada uma de nós, e seus amigos.


Era o fim de tudo...


 A amizade de certo continuaria apenas nas lembranças.


E nas filhas que já passados quase 40 anos, desde que nos conhecemos na quinta/série admissional, nos vimos e conversamos conversa de meninas... 


Fomos dali até o segundo grau: Curso normal... Pré-vestibular , casamentos , festividades, temores e dúvidas sanadas. 


E, até hoje, quando nos revemos.... hoje Ritinha - mora em Barra de São João, e a outra em Santa Catarina, mas quando nos vemos  , é como se... aquelas meninas retornassem a cada uma de nós!!.


Doces e singelas lembranças .... fatos vividos no passado e quais lições apreendemos depois para o hoje/aqui/e agora... e para o amanhã quando chegado!


O lado humano ... singelo ... retorna: E assim compreendemos: O que é ser amiga(o)s!







“O que está em cima é como o que está embaixo; e o que está embaixo é como o que está em cima”.

 O Caibalion






Postagem dedicada à amizade sincera e boa...A Rita Araujo... Dora Araújo e Rogéria Araújo... e também aos muitos amigos que tive .. tenho.. e terei!! 


Aos Anjos Alados ou sem asas visíveis e a leveza do ser...aos amigos de quatro patas , que também marcam nossa existência...e àqueles que se lembraram que nesse mês de Junho acontece o meu niver!


Obrigada pela presença e existência!!









Meu email: baruchess@gmail.com


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A vida segue seu fluxo ... Nada muda sem que você não permita!

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Que lugar é esse ? One club of The chess... greast ...